Donnerstag, 26. August 2010
setembro e agosto
diziam que agosto era o mês das colheitas
com os campos de cevada preguiçosamente embalados na luz do entardecer.
mas o que chegou primeiro foi setembro.
e setembro durou anos.
repetidamente
a colheita da minha vida
era o apanhar das missangas caídas do colar da tua
o pulso fechado a fugir de esquinas e tiros
a saudade imensa de olhares tristes, mas quentes.
setembro durou anos.
e agosto acabou por vir como estava prometido
explodindo e barafustando pelos campos
como em áfrica e no fim do mundo.
e eu farta
de segurar as pontas todas deste mundo redondo
e das vidas nele enterradas, quando o sol ainda vai alto
e o outono promete o que não traz.
hoje, é a primeira vez que sinto a vossa falta
sem nada mais além da falta que vocês me fazem. ambos.
no calendário
agosto e setembro deixaram de existir.
o que há são os dias
em que volto a ser filha.
Arquivado em:
a estela d'outros,
estado de espírito
Abonnieren
Posts (Atom)