Sonntag, 11. September 2011
Freitag, 26. August 2011
A propósito da crónica de António Lobo Antunes que saiu na Visão, no dia 18.
Na segunda-feira faz 6 anos que o meu pai morreu. Seria um dos mortos que esteve em Almeirim, se fosse um dos que esteve lá com o Lobo Antunes, mas não esteve. O meu pai foi à guerra e, apesar dela, teve uma daquelas vidas invisíveis, que só tocam, apertam ou surpreendem quem está por perto. Mas vomitou imenso. O meu pai vomitou sem o dom de saber escrever.
Eu, com 12, 13 anos ia passar os sábados ali para os lados do Largo de Camões, onde se juntavam uns quantos paraquedistas, a jogar às cartas e tal. Toda a gente fingia acreditar que a guerra já tinha acabado. Cresci com ela, com a alma doente do meu pai e com um peso na consciência em relação a África, que perdura até hoje. É a vida. D e facto, é uma bela crónica, como quase todas as que leio do Lobo Antunes.
Montag, 8. August 2011
a "Súplica" de Miguel Torga na minha boca
Agora que o silêncio é um mar sem ondas,
E que nele posso navegar sem rumo,
Não respondas
Às urgentes perguntas
Que te fiz.
Deixa-me ser feliz
Assim,
Já tão longe de ti como de mim.
Perde-se a vida a desejá-la tanto.
Só soubemos sofrer, enquanto
O nosso amor
Durou.
Mas o tempo passou,
Há calmaria...
Não perturbes a paz que me foi dada.
Ouvir de novo a tua voz seria
Matar a sede com água salgada.
---------------------------------------------------
Não se iludam. Estou a pensar em 3 pessoas.
E a sentir imensa vontade de engolir grandes goles de água salgada.... Afogar-me nisso de sentir. E não me deixam. Cabrões.
E que nele posso navegar sem rumo,
Não respondas
Às urgentes perguntas
Que te fiz.
Deixa-me ser feliz
Assim,
Já tão longe de ti como de mim.
Perde-se a vida a desejá-la tanto.
Só soubemos sofrer, enquanto
O nosso amor
Durou.
Mas o tempo passou,
Há calmaria...
Não perturbes a paz que me foi dada.
Ouvir de novo a tua voz seria
Matar a sede com água salgada.
---------------------------------------------------
Não se iludam. Estou a pensar em 3 pessoas.
E a sentir imensa vontade de engolir grandes goles de água salgada.... Afogar-me nisso de sentir. E não me deixam. Cabrões.
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estado de espírito
Montag, 1. August 2011
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filosofia dominical
Sonntag, 3. Juli 2011
Samstag, 2. Juli 2011
Freitag, 3. Juni 2011
Samstag, 7. Mai 2011
Freitag, 29. April 2011
Real - idade !!!!
Ok, quem é que ainda não está farto de ouvir
a conversa do Mourinho e do Guardiola???
Agora eu, menina que adora a verdade,
passei-me com este VÍDEO da página do Real...
Tiro o chapéu ao Mourinho e a todos (Ferdinand, por exemplo)
os que viram o lance correctamente, apesar da rapidez.
A verdade, toda a verdade e nada mais que a verdade :)
a conversa do Mourinho e do Guardiola???
Agora eu, menina que adora a verdade,
passei-me com este VÍDEO da página do Real...
Tiro o chapéu ao Mourinho e a todos (Ferdinand, por exemplo)
os que viram o lance correctamente, apesar da rapidez.
A verdade, toda a verdade e nada mais que a verdade :)
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vídeos
Donnerstag, 28. April 2011
Kant ia adorar tomar um chá com a D. Amélia
"o próprio sol é que me acompanha!"
quem me dera ver a vida assim!
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Mittwoch, 27. April 2011
um conto de fadas é um conto de fadas é um conto de fadas
Na sexta-feira estarei agarrada à televisão a ver o casamento real :)
Não sei se é o lado feminino, o lado infantil ou o lado maternalista que mais se enfeitará dentro de mim. Também não quero saber.
Quando a princesa Diana foi para a Escócia em lua de mel, a minha mãe copiou uma das camisolas que ela trazia vestida, numa reportagem da Hola. Lembro-me da reportagem como se tivesse folheado a revista ontem. E lembro-me do entusiasmo e da precisão da minha mãe, ao escolher o tom de castanho mais aproximado ao castanho espanhol impresso, ao tricotar a camisola para depois combinar – como na revista – o decote com uma saia que a minha tia lhe teve de fazer, a condizer com a princesa, com a revista, com a monarquia.
A minha mãe nunca pareceu uma princesa.
Mas pelo fim que levaram ambas, suponho que reconhecia nela a mesma impotência, antes mesmo de o mundo dar por isso – em ambas.
Casaram e a minha amiga inglesa mandou-nos uma colher foleiríssima [palavra muito em voga nos dias de hoje ;) ].
Tiveram filhos e eu vi-os crescer.
Divorciaram-se e eu pensei o mesmo.
E depois morreu, aquela princesa universal, muito mais universal que a Amidala.
Cresci com aquela família inglesa, sabendo que não era a minha, que não era o que eu queria, que nunca seria nada do que eu achava necessário ao mundo. Mas há um enlevo de que não me liberto, uma ternura estranha quando olho para aquelas pessoas de papel, que existem e não existem. O anacronismo é tal, que é como se os contos de fadas não fossem histórias de ler à noite, mas histórias do tamanho das nossas vidas.
Hoje, sabendo que na sexta-feira vou ver televisão, não me compreendo, não me percebo, tenho até dó de mim. Mas sei que na sexta me estou nas tintas para mim e serei a minha mãe, por um anacrónico e maluco par de horas.
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estado de espírito
Montag, 25. April 2011
turismo político
Um casal dinamarquês, Pia e Ifinn Taube, "apaixonou-se" pelo 25 de Abril no ano passado, quando esteve de férias em Portugal, e este ano voltou e os dois até já sabem dizer "a luta continua", ainda que num português cheio de sotaque.tirado daqui
"E é tão preciso", disse Pia Taube em inglês.
De férias de novo em Portugal, estas marcadas propositadamente para participar no 25 de Abril e 1.º de Maio, o casal gostava agora de alugar uma casa em Lisboa.
Tudo porque "Portugal ainda é muito original e o socialismo ainda tem significado, o que já não acontece na Dinamarca".
era o que faltava!
turismo político do norte da europa.
estamos quilhados!!!!!
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política
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Freitag, 22. April 2011
Páscoa
de Paulo José Miranda
Esforça-te para que saibam que o mundo começou de vez
Estende uma palavra amável ao transeunte
E o luxo anacrónico de um sorriso
Àquele que falar mal de ti
Perdoa-o com a ternura de falar bem dele
Segue pela rua não esquecendo nunca
Essa missão dura e difícil que tens pela frente
Ainda que te esbofeteiem, te espezinhem, te humilhem
És e serás sempre o profeta do humano
Aquele que anuncia a chegada do mundo.
livros de Paulo José Miranda AQUI
de Paulo José Miranda
Esforça-te para que saibam que o mundo começou de vez
Estende uma palavra amável ao transeunte
E o luxo anacrónico de um sorriso
Àquele que falar mal de ti
Perdoa-o com a ternura de falar bem dele
Segue pela rua não esquecendo nunca
Essa missão dura e difícil que tens pela frente
Ainda que te esbofeteiem, te espezinhem, te humilhem
És e serás sempre o profeta do humano
Aquele que anuncia a chegada do mundo.
livros de Paulo José Miranda AQUI
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poemas
Donnerstag, 21. April 2011
Mittwoch, 13. April 2011
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fotos
Montag, 11. April 2011
beijos na ordem do discurso
Ora AQUI está uma das coisas que "odeio" na ciência!
Depois o asteroide leva com um bocadinho de "vento", muda de rota, ganha balanço e os pobres desgraçados que sobreviverem ao fim do mundo lá vão ter de arranjar uma explicação para a explicação que devia explicar o que vai acontecer e não explicou o que se deu.
Lá se vão os beijos cosmológicos.
Lá se vão os beijos cosmológicos.
Já quis ser astronauta, mas era miúda.
Agora já não tenho paciência para este tipo de "conhecimento"!
Toda a ciência começa como filosofia e termina em arte.
(Will Durant, "história da Filosofia")
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notícias
Dienstag, 5. April 2011
o elixir da princesa
Por razões que não vêm ao caso,
descobri hoje na net que o Drambuie que tenho cá em casa, na família desde 67, é uma "beberagem que satisfaz" [=gaélico para an dram buidheach] - ou não fosse whisky com mel, ervas e tal.
O elixir de um príncipe revoltoso e meigo.
Drambuie.com - 1960
A espada no gargalo da garrafa é uma lembrança de sua origem durante a revolta jacobina de 1745, e os quatro diamantes representam os valores intimamente associados ao Príncipe Charlie - Risco, Rebelião, Paixão e Mistério.
Leio isto e penso na história por trás da garrafa que está no armário.
O meu pai e o meu avô materno choraram nos braços um do outro, quando nasci, com a Praça da Figueira ao fundo, a ver-se por entre as cortinas do quarto do hospital dos empregados do comércio, onde me foram visitar.
Contava a minha avó, com uma indiferença serena que só mulheres sábias têm, que choraram barba e ranho porque eu não era um rapaz. E que mais desesperados ficaram no seu soluçar, quando se lembraram que já não iam abrir a garrafa que o meu pai tinha trazido de algures para a ocasião. Porque a garrafa era para abir e esvaziar se nascesse um rapaz.
Durante muitos anos a garrafa lá ficou, no aparador da sala, onde o meu avô a deixou quando regressou a casa, naquele dia igualmente trágico para os Martins e os Pires. Recebi-a, já mulher adulta, da minha avó, como quem passa uma maldição familiar adiante, na esperança que se acabe. E acabou ;)
Hoje, num raio de segundos, percebi tudo.
O elixir, a Escócia e os diamantes da coisa:
Risco, rebelião, paixão e mistério.
Não bebi nada daquilo, mas está cá tudo ;)
O meu pai e o meu avô já cá não estão.
Senão, abria hoje a garrafa e obrigava-os a beber tudo.
descobri hoje na net que o Drambuie que tenho cá em casa, na família desde 67, é uma "beberagem que satisfaz" [=gaélico para an dram buidheach] - ou não fosse whisky com mel, ervas e tal.
O elixir de um príncipe revoltoso e meigo.
Em 1745, o príncipe Charles Edward Stuart organizou um exército de clãs nas Highlands Escocesas para recuperar os tronos Britânicos que pertenciam à sua família. Após a Batalha de Culloden em 1746, perante a iminência de uma derrota, o príncipe fugiu para a ilha de Skye, com a ajuda de seu fiel capitão, John MacKinnon do Clan MacKinnon. Segundo a lenda da família, o príncipe recompensou MacKinnon pelo seu apoio com a receita desta bebida, o seu elixir pessoal.
(corrigido da wiki)
Drambuie.com - 1960
A espada no gargalo da garrafa é uma lembrança de sua origem durante a revolta jacobina de 1745, e os quatro diamantes representam os valores intimamente associados ao Príncipe Charlie - Risco, Rebelião, Paixão e Mistério.
Leio isto e penso na história por trás da garrafa que está no armário.
O meu pai e o meu avô materno choraram nos braços um do outro, quando nasci, com a Praça da Figueira ao fundo, a ver-se por entre as cortinas do quarto do hospital dos empregados do comércio, onde me foram visitar.
Contava a minha avó, com uma indiferença serena que só mulheres sábias têm, que choraram barba e ranho porque eu não era um rapaz. E que mais desesperados ficaram no seu soluçar, quando se lembraram que já não iam abrir a garrafa que o meu pai tinha trazido de algures para a ocasião. Porque a garrafa era para abir e esvaziar se nascesse um rapaz.
Durante muitos anos a garrafa lá ficou, no aparador da sala, onde o meu avô a deixou quando regressou a casa, naquele dia igualmente trágico para os Martins e os Pires. Recebi-a, já mulher adulta, da minha avó, como quem passa uma maldição familiar adiante, na esperança que se acabe. E acabou ;)
Hoje, num raio de segundos, percebi tudo.
O elixir, a Escócia e os diamantes da coisa:
Risco, rebelião, paixão e mistério.
Não bebi nada daquilo, mas está cá tudo ;)
O meu pai e o meu avô já cá não estão.
Senão, abria hoje a garrafa e obrigava-os a beber tudo.
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a estela d'outros
Sonntag, 3. April 2011
Poema de Pedro Sevilla, para Angela Sevilla
Que me llenes la casa de perfumes y medias
de cristal, y me rompas,
con las últimas bandas sonoras de la vida,
el ritmo de los versos que trato de escribir,
yo puedo comprenderlo.
...yo comprendo
la arritmia en la aritmética, el desdén que profesas
por los Austria, los corazones
en la blancura virgen de tus folios,
tus primeros dolores de mujer,
yo lo comprendo todo.
Pero no me provoques, hija mÌa:
no me traigas a casa tan dulces quinceaÒeras
de inexplicables ojos, de miradas
a˙n m·s inexplicables. Diles que no se pinten
los labios en mi espejo, que no te presten ropa.
No metas em mi infierno a esos diablos
que me tratan de usted. Sé buena hija
y evítale a tu padre el duro lance
de morirse de amor por tu mejor amiga.
sobre Pedro Sevilla AQUI
de cristal, y me rompas,
con las últimas bandas sonoras de la vida,
el ritmo de los versos que trato de escribir,
yo puedo comprenderlo.
...yo comprendo
la arritmia en la aritmética, el desdén que profesas
por los Austria, los corazones
en la blancura virgen de tus folios,
tus primeros dolores de mujer,
yo lo comprendo todo.
Pero no me provoques, hija mÌa:
no me traigas a casa tan dulces quinceaÒeras
de inexplicables ojos, de miradas
a˙n m·s inexplicables. Diles que no se pinten
los labios en mi espejo, que no te presten ropa.
No metas em mi infierno a esos diablos
que me tratan de usted. Sé buena hija
y evítale a tu padre el duro lance
de morirse de amor por tu mejor amiga.
sobre Pedro Sevilla AQUI
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poemas
Samstag, 2. April 2011
virei o bico ao prego
Acabo de pregar dois pregos na parede.
E não, não é esta a parte da notícia que mais interessa.
A verdade é que pendurei dois quadros em paredes que não queria esburacar. Fazer buracos nestas paredes significa aceitar que estas são as paredes. As paredes da minha casa. A minha casa nesta cidade. Nesta cidade que não é minha, nem quero que seja. Decidi pendurar os quadros porque me deram pena, assim meio tortos e encostados, eles ainda mais desterrados que eu e com menos culpa, há um ano já a fingirem-se decorativos.
A verdade é que pendurei dois quadros em paredes que não queria esburacar. Fazer buracos nestas paredes significa aceitar que estas são as paredes. As paredes da minha casa. A minha casa nesta cidade. Nesta cidade que não é minha, nem quero que seja. Decidi pendurar os quadros porque me deram pena, assim meio tortos e encostados, eles ainda mais desterrados que eu e com menos culpa, há um ano já a fingirem-se decorativos.
Pendurei os quadros e não aconteceu nada.
Não me doi nada. Nem tenho medo de me ir embora sem ter valido a pena o tempo que estão pendurados.
Posso partir amanhã e lá estão eles hoje, direitinhos e vivos, nessa existência sublime de agradar sem proquê.
Estou bem, acho até que ainda vou pendurar as fotos de família, das férias, do piriquito que não tenho e aqueles quadros de búzios e aquela tela alemã e o poster do concerto do Dylan e .... depois pirar-me desta casa assim que puder :)))
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estado de espírito
Freitag, 1. April 2011
as cotas do benfica são um inferno para a vida
Li isto AQUI e achei tão infantil, que tenho de escrever umas linhas.
Acho que nenhuma das pessoas que me lê acredita em Deus, pelo que estou à vontade para expor a minha dúvida ;)
Se bem entendo, o batismo-sem-p é um momento de aceitação na comunidade católica, feito por quem acredita que um novo membro da família deve, num breve festejo, ser oficialmente presente à família religiosa a que pertence (mesmo que ainda não o saiba, mesmo que mais tarde não o queira). Se o acto quebra o feitiço do pecado original ou não, se sem ele não nos salvamos ou não - isso é outra conversa. Mas o acto de batizar uma criança é feito pelos pais, pela família, e tem o peso que qualquer rito de passagem tem: daqui para ali e mais nada.
Comparar isso ao futebol já é uma parvoíce. Mesmo havendo pais benfiquistas ferrenhos que vão do cartório onde registaram o nascimento, à Luz dos seus sonhos, fazer do rebento um benfas sem que ele tenha voto na matéria. Porque é aqui que a porta torce o rabo. O que eu acho realmente estranho é a necessidade que uma pessoa tem de se desbatizar só porque não acredita em Deus.
Vamos lá a ver. Eu batizo o filho porque desejo que a comunidade religiosa em que vivo (e acredito, senão não o batizo) o receba. Ok, não depende da vontade do meu filho. Mas é como comer bifes (e depois cresce e é vegetariano) ou vestir calças à boca-de-sino (e depois dá em polícia), etc. Enquanto são putos o mundo deles é o que os rodeia. Bons pais são capazes de fazer coexistir o mundo em que vivem (e acreditam) com todos os outros possíveis, para que os seus filhos cresçam com liberdade de opinião, de escolha, de expressão. Para que sejam eles próprios e não iguais ou diferentes deles. Ok, o puto cresce e sente que não acredita em Deus e não quer fazer parte desse "clube". Desbatiza-se.
Agora vem a minha dúvida: acham estes senhores da notícia que assim repôem a sua virgindade religiosa? não o fazem.
Primeiro porque o exemplo está mal dado: se se sente do Porto a pagar cotas do Benfica, está ainda no mundo do futebol. Ora, quem é ateu não liga a religiões nenhumas, portanto não gosta do Porto, porque paga as cotas do Benfica, mas simplesmente não gosta de futebol.
O segundo erro é que o senhor batizado não está a pagar cotas nenhumas. Ou em Portugal já se paga para ser católico?
Na Áustria, por exemplo, paga-se um imposto religioso. A Igreja sabe exactamente quanto ganhas e que emprego tens e desconta-te logo. Aqui sim, faria sentido falar em cotas. - mas pessoas que tenham sido baptizadas e abandonem a Igreja, por falta de convicção, por ateísmo ou por outra razão qualquer, abandonam a Igreja, deixam de pagar imposto, recebem um papelinho a dizer que já não são membros da Igreja Católica, mas não deixam de ter sido batizadas. Ainda que depois já não possam, por exemplo, ser padrinhos ou madrinhas de ninguém (o que me parece de uma coerência pouco usual nesta área).
A graça de Deus, a existir, está dada. Não se volta a tirar - isso são "estórias" que nos contam. Até porque "quem dá e torna a tirar ao inferno vai parar" e isso seria verdadeiramente contra-produtivo ;) !
E se a graça de Deus não existe, tanto faz como tanto fez.
Desbatizam-se para quê?
Expliquem-me por favor. A sério.
Acho que nenhuma das pessoas que me lê acredita em Deus, pelo que estou à vontade para expor a minha dúvida ;)
Se bem entendo, o batismo-sem-p é um momento de aceitação na comunidade católica, feito por quem acredita que um novo membro da família deve, num breve festejo, ser oficialmente presente à família religiosa a que pertence (mesmo que ainda não o saiba, mesmo que mais tarde não o queira). Se o acto quebra o feitiço do pecado original ou não, se sem ele não nos salvamos ou não - isso é outra conversa. Mas o acto de batizar uma criança é feito pelos pais, pela família, e tem o peso que qualquer rito de passagem tem: daqui para ali e mais nada.
Comparar isso ao futebol já é uma parvoíce. Mesmo havendo pais benfiquistas ferrenhos que vão do cartório onde registaram o nascimento, à Luz dos seus sonhos, fazer do rebento um benfas sem que ele tenha voto na matéria. Porque é aqui que a porta torce o rabo. O que eu acho realmente estranho é a necessidade que uma pessoa tem de se desbatizar só porque não acredita em Deus.
Vamos lá a ver. Eu batizo o filho porque desejo que a comunidade religiosa em que vivo (e acredito, senão não o batizo) o receba. Ok, não depende da vontade do meu filho. Mas é como comer bifes (e depois cresce e é vegetariano) ou vestir calças à boca-de-sino (e depois dá em polícia), etc. Enquanto são putos o mundo deles é o que os rodeia. Bons pais são capazes de fazer coexistir o mundo em que vivem (e acreditam) com todos os outros possíveis, para que os seus filhos cresçam com liberdade de opinião, de escolha, de expressão. Para que sejam eles próprios e não iguais ou diferentes deles. Ok, o puto cresce e sente que não acredita em Deus e não quer fazer parte desse "clube". Desbatiza-se.
Agora vem a minha dúvida: acham estes senhores da notícia que assim repôem a sua virgindade religiosa? não o fazem.
Primeiro porque o exemplo está mal dado: se se sente do Porto a pagar cotas do Benfica, está ainda no mundo do futebol. Ora, quem é ateu não liga a religiões nenhumas, portanto não gosta do Porto, porque paga as cotas do Benfica, mas simplesmente não gosta de futebol.
O segundo erro é que o senhor batizado não está a pagar cotas nenhumas. Ou em Portugal já se paga para ser católico?
Na Áustria, por exemplo, paga-se um imposto religioso. A Igreja sabe exactamente quanto ganhas e que emprego tens e desconta-te logo. Aqui sim, faria sentido falar em cotas. - mas pessoas que tenham sido baptizadas e abandonem a Igreja, por falta de convicção, por ateísmo ou por outra razão qualquer, abandonam a Igreja, deixam de pagar imposto, recebem um papelinho a dizer que já não são membros da Igreja Católica, mas não deixam de ter sido batizadas. Ainda que depois já não possam, por exemplo, ser padrinhos ou madrinhas de ninguém (o que me parece de uma coerência pouco usual nesta área).
A graça de Deus, a existir, está dada. Não se volta a tirar - isso são "estórias" que nos contam. Até porque "quem dá e torna a tirar ao inferno vai parar" e isso seria verdadeiramente contra-produtivo ;) !
E se a graça de Deus não existe, tanto faz como tanto fez.
Desbatizam-se para quê?
Expliquem-me por favor. A sério.
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Donnerstag, 31. März 2011
Mittwoch, 23. März 2011
necro 5
Podia contar-vos que a minha filha não se chama Cleópatra.
Mas esteve quase para se chamar. O nome era uma mistura de Liz Taylor e daquele "belo nariz", no Asterix.
Toda a gente achava que havia um peso histórico no nome que nenhuma menina merecia.
Mas eu achava - e acho - o nome lindo. E hoje li no público que "a história de beleza da Cleópatra pertence a Elisabeth Taylor". Sim, e muito do que me agrada no nome daquela louca egípcia tem a ver com esta mulher tão forte que hoje se foi, de regresso aos braços do Burton.
Também vos podia contar que quando os austríacos gozavam com o meu nome austríaco agarrado aos outros apelidos portugueses, num comboio estranho de sílabas e sons, costumava responder-lhes que casaria ainda tantas vezes como a Taylor e juntaria ainda mais nomes estranhos aos meus, num comboio improvável de histórial de vida. Sublinhar-vos que entretanto desisti da ideia, mas continuo a achar que é um belo projecto ;)
Mas a verdade é que só me apetece encher este blog de fotos copiadas da net. Da Elisabeth Taylor. E dela com o Montgomery Cliff, da Taylor com o Newman, da Taylor com o James Dean, dela com o Burton, dela com o Rock Hudson, dela... da força dela... da sua enorme força...
Mas esteve quase para se chamar. O nome era uma mistura de Liz Taylor e daquele "belo nariz", no Asterix.
Toda a gente achava que havia um peso histórico no nome que nenhuma menina merecia.
Mas eu achava - e acho - o nome lindo. E hoje li no público que "a história de beleza da Cleópatra pertence a Elisabeth Taylor". Sim, e muito do que me agrada no nome daquela louca egípcia tem a ver com esta mulher tão forte que hoje se foi, de regresso aos braços do Burton.
Também vos podia contar que quando os austríacos gozavam com o meu nome austríaco agarrado aos outros apelidos portugueses, num comboio estranho de sílabas e sons, costumava responder-lhes que casaria ainda tantas vezes como a Taylor e juntaria ainda mais nomes estranhos aos meus, num comboio improvável de histórial de vida. Sublinhar-vos que entretanto desisti da ideia, mas continuo a achar que é um belo projecto ;)
Mas a verdade é que só me apetece encher este blog de fotos copiadas da net. Da Elisabeth Taylor. E dela com o Montgomery Cliff, da Taylor com o Newman, da Taylor com o James Dean, dela com o Burton, dela com o Rock Hudson, dela... da força dela... da sua enorme força...
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necro
Sonntag, 20. März 2011
Vienne, potiche toi!
Os dias passam.
Viena desistiu do frio.
A chuva é muito mais eficiente quando se trata de azucrinar a alma.
...
O dia foi salvo por uma francesa.
A alma de uma mulher não se deixa azucrinar pela meteorologia pindérica desta Europa de Leste.
Deneuve forever ;)
Viena desistiu do frio.
A chuva é muito mais eficiente quando se trata de azucrinar a alma.
...
O dia foi salvo por uma francesa.
A alma de uma mulher não se deixa azucrinar pela meteorologia pindérica desta Europa de Leste.
Deneuve forever ;)
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filmes
Mittwoch, 16. März 2011
obviamente cansada
Estou sem força.
Sem força para o óbvio.
Sem força para dizer ao mundo o que o mundo já sabe.
Que tem de ter cuidado com o urânio.
Que deve é jogar golfe com as cabeças de alguns.
Que a guerra não deve nunca ser missão ou causa essencial do futuro de nada.
Que o relatório mundial da agricultura continua a estar subscrito apenas por 58 países.
Que a metafísica e o chocolate são doces feitos de "amargura".
Que Sean Penn é um heroi.
Que estou sem força.
O mundo sabe e eu sei.
E não adianta de muito. Nem a ele, nem a mim.
Sem força para o óbvio.
Sem força para dizer ao mundo o que o mundo já sabe.
Que tem de ter cuidado com o urânio.
Que deve é jogar golfe com as cabeças de alguns.
Que a guerra não deve nunca ser missão ou causa essencial do futuro de nada.
Que o relatório mundial da agricultura continua a estar subscrito apenas por 58 países.
Que a metafísica e o chocolate são doces feitos de "amargura".
Que Sean Penn é um heroi.
Que estou sem força.
O mundo sabe e eu sei.
E não adianta de muito. Nem a ele, nem a mim.
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Dienstag, 8. März 2011
Sonntag, 6. März 2011
código postal, de João Negreiros
gosto do poema,
mas gosto mais ainda do modo como ela o diz.
Código postal
As paredes desta casa já viram tudo
o sono
a fome
e um tambor perdido no meio da batalha
viram inquilinos fugir à pressa
e a treva que os ladrões trouxeram
as bulhas que desaguaram em carícias
as portas que bateram por conta do vento
e as janelas que partiram por conta de nada
mas cada vez que um vinha e entrava
dava a todos esta morada
e o correio trazia para o mesmo destinatário as cartas de amor de quem já não mora aqui
e eu não quero saber
abro-as e leio-as como se fossem minhas
como se fossem tuas
e violo-lhes a correspondência como se fosses tu
esqueço a letra e os erros de ortografia e imagino que me escreves todos os dias
e quando perguntam se mora aqui a dona Augusta
eu digo que sim
que sou eu
o senhor Gustavo?
sim
sou eu
o doutor Américo?
é o meu pai
a dona Lourdes?
é a minha mãe
a Maria de Fátima?
é minha filha
e o correio não faz perguntas porque sabe que não se deve perguntar nada a um homem apaixonado
e então faço de conta que os nomes sou eu
tapo o remetente
imagino-te o nome
e abro-a para sentir o teu perfume
e a carta começa assim
excelentíssimo senhor
e eu traduzo para
meu querido
e depois continua com
venho por este meio
e eu traduzo para
amo-te mais que a vida
e a carta do tribunal com aviso de recepção do homem que morava aqui e que não pagava a renda é a prova inequívoca de que me amas
todo aquele papaguear jurídico são longas descrições do país exótico onde vives exilada
é por isso que não podes vir
é por isso que não podes escrever
não te deixam
por isso escreves em código na pena dos que partiram
com cartas de tribunal e contas da luz antigas para me alumiar a esperança pedindo-me que espere
e sempre que o telefone toca e é engano
és tu
quando o galho comprido da árvore do vizinho bate na janela
és tu
quando buzinam na rua
és tu
quando as crianças cantam lá fora
é para te anunciar
eu sei
não tardas
estás para chegar
e quando chegares vais pedir desculpa pelo atraso
e vais dizer que fomos feitos um para o outro
e que a vida agora vai correr bem
e vais ser linda
e dar-me beijos quentes como um abafo para as orelhas
e vamos viver nesta casa um perpétuo amor
uma vida perfeita
sem nada que nos interrompa
e quando o carteiro chegar e fizer perguntas
dizemos que a dona Augusta não sou eu
dizemos que o senhor Gustavo não sou eu
que o doutor Américo era o meu pai mas morreu
que a dona Lourdes era minha mãe mas também se foi logo a seguir com o desgosto
que a Maria de Fátima
a minha pequenina de um casamento antigo
foi com a mãe para a Suíça
e que aqui moramos nós
sem história
sem família
sem passado
nesta paz que não existe
neste amor que nunca foi
mas que é para sempre
Poema do livro "o cheiro da sombra das flores"
de João Negreiros
mas gosto mais ainda do modo como ela o diz.
Código postal
As paredes desta casa já viram tudo
o sono
a fome
e um tambor perdido no meio da batalha
viram inquilinos fugir à pressa
e a treva que os ladrões trouxeram
as bulhas que desaguaram em carícias
as portas que bateram por conta do vento
e as janelas que partiram por conta de nada
mas cada vez que um vinha e entrava
dava a todos esta morada
e o correio trazia para o mesmo destinatário as cartas de amor de quem já não mora aqui
e eu não quero saber
abro-as e leio-as como se fossem minhas
como se fossem tuas
e violo-lhes a correspondência como se fosses tu
esqueço a letra e os erros de ortografia e imagino que me escreves todos os dias
e quando perguntam se mora aqui a dona Augusta
eu digo que sim
que sou eu
o senhor Gustavo?
sim
sou eu
o doutor Américo?
é o meu pai
a dona Lourdes?
é a minha mãe
a Maria de Fátima?
é minha filha
e o correio não faz perguntas porque sabe que não se deve perguntar nada a um homem apaixonado
e então faço de conta que os nomes sou eu
tapo o remetente
imagino-te o nome
e abro-a para sentir o teu perfume
e a carta começa assim
excelentíssimo senhor
e eu traduzo para
meu querido
e depois continua com
venho por este meio
e eu traduzo para
amo-te mais que a vida
e a carta do tribunal com aviso de recepção do homem que morava aqui e que não pagava a renda é a prova inequívoca de que me amas
todo aquele papaguear jurídico são longas descrições do país exótico onde vives exilada
é por isso que não podes vir
é por isso que não podes escrever
não te deixam
por isso escreves em código na pena dos que partiram
com cartas de tribunal e contas da luz antigas para me alumiar a esperança pedindo-me que espere
e sempre que o telefone toca e é engano
és tu
quando o galho comprido da árvore do vizinho bate na janela
és tu
quando buzinam na rua
és tu
quando as crianças cantam lá fora
é para te anunciar
eu sei
não tardas
estás para chegar
e quando chegares vais pedir desculpa pelo atraso
e vais dizer que fomos feitos um para o outro
e que a vida agora vai correr bem
e vais ser linda
e dar-me beijos quentes como um abafo para as orelhas
e vamos viver nesta casa um perpétuo amor
uma vida perfeita
sem nada que nos interrompa
e quando o carteiro chegar e fizer perguntas
dizemos que a dona Augusta não sou eu
dizemos que o senhor Gustavo não sou eu
que o doutor Américo era o meu pai mas morreu
que a dona Lourdes era minha mãe mas também se foi logo a seguir com o desgosto
que a Maria de Fátima
a minha pequenina de um casamento antigo
foi com a mãe para a Suíça
e que aqui moramos nós
sem história
sem família
sem passado
nesta paz que não existe
neste amor que nunca foi
mas que é para sempre
Poema do livro "o cheiro da sombra das flores"
de João Negreiros
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guardador de textos,
poemas
Samstag, 5. März 2011
Mittwoch, 2. März 2011
Paulo Sérgio zu Guttenberg
O ministro alemão da defesa copiou à brava na sua tese de doutoramento e depois de 2 semanas a dizer que enfim, estava cheio de stress por, na altura, ter tudo a acontecer ao mesmo tempo (o trabalho, a tese, o filho bébé, a vida familiar - olha-me a lata do menino!) lá decidiu hoje demitir-se. Lembra-nos uma ou outra pessoa conhecida, não é? (menos a demissão, claro!) ;)
Agora o que me leva a escrever hoje um post é o facto de 57% dos alemães acharem que não valia a pena ele demitir-se por tal coisa. Pensando no Paulo Sérgio e tal, também acho que não.
A vida que levamos está cheia de adversidades. Eu não posso demitir-me desta vida, continuando a viver. Tenho que viver com as minhas asneiras, corrigi-las, mudar o rumo dos erros, evitar erros semelhantes etc.
Agora nesses mundos de futebol e política, faz-se uma asneira e a maior consequência é deixar a asneira feita e ir apanhar ar... Sempre achei uma parvoíce haver treinadores de futebol a serem despachados por dá cá aquela palha. Até porque assisti a muitos jogos na minha vida, em que os 11 dentro do campo poderiam ter feito muito para mudar resultados adversos, seguindo ou não o treinador.
Até no domingo, nos Óscares, alguém disse que passados 3 anos sobre a maior crise financeira comprovadamente provocada por fraudes, nenhum dos envolvidos está preso ou teve de prestar contas.
Este pessoal devia ser obrigado a resolver o assunto antes de se ir embora. Mainada! O Sr. zu Guttenberg devia reescresver a sua tese, ao mesmo tempo que continuava a defender a Alemanha e só se ia embora depois disso ;)
Agora o que me leva a escrever hoje um post é o facto de 57% dos alemães acharem que não valia a pena ele demitir-se por tal coisa. Pensando no Paulo Sérgio e tal, também acho que não.
A vida que levamos está cheia de adversidades. Eu não posso demitir-me desta vida, continuando a viver. Tenho que viver com as minhas asneiras, corrigi-las, mudar o rumo dos erros, evitar erros semelhantes etc.
Agora nesses mundos de futebol e política, faz-se uma asneira e a maior consequência é deixar a asneira feita e ir apanhar ar... Sempre achei uma parvoíce haver treinadores de futebol a serem despachados por dá cá aquela palha. Até porque assisti a muitos jogos na minha vida, em que os 11 dentro do campo poderiam ter feito muito para mudar resultados adversos, seguindo ou não o treinador.
Até no domingo, nos Óscares, alguém disse que passados 3 anos sobre a maior crise financeira comprovadamente provocada por fraudes, nenhum dos envolvidos está preso ou teve de prestar contas.
Este pessoal devia ser obrigado a resolver o assunto antes de se ir embora. Mainada! O Sr. zu Guttenberg devia reescresver a sua tese, ao mesmo tempo que continuava a defender a Alemanha e só se ia embora depois disso ;)
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notícias
Montag, 28. Februar 2011
necro 4
Continuam a morrer pessoas que não têm nada a ver com a minha vida e que, ainda assim, ocupam nela um espaço maior do que o imaginado. Uma mulher de quem eu não sei nada, num momento universal, universalizado. E uma ponte sentimental e obsoleta, entre mim e ela, feita de sonhos e música.
Esta excelente foto de Dylan e Suze Rotolo é um zoom inacreditável do que durante anos infindáveis eu quis ter na minha vida. Não, não estou a exagerar. A luz maravilhosa do branco no preto, aquelas almofadas lá atrás, o sorriso aberto, a cumplicidade e um dylan para abraçar ;)
Suze Rotolo faleceu hoje. E teve direito a notícia de jornal, por ter "andado" com Dylan durante uns 4 anos da sua juventude (dos 67 que viveu). Não que tivesse desejado ser famosa, embora no fim quase se tenha rendido às evidências, de ter sido apenas isso o que interessou ao mundo sobre ela.
Entre nós houve uma ponte, embora ela nem quisesse ou pudesse saber disso. Porque me lembro de, em tempos idos, repetidamente olhar para a foto do album "The freewheelin'" e ter imaginado o que está acima: o sorriso aberto, a cumplicidade, o dylan para levar de braço dado ;)
[enfim, já estive a 15 metros do Dylan, quase que teria dado para lhe dar a mão.]
Agora, também já estou rendida às evidências de que uma foto que resume o meu exagerado sonho e foi tirada antes de eu ter nascido, vale o que vale: a excelente música do vinil - porque afinal é o plástico que vive 500 anos.
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necro
Sonntag, 27. Februar 2011
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filosofia dominical
Dienstag, 22. Februar 2011
fosga-se
Eu a caminho de casa, de passo apressado, exigido pelos 8 graus negativos. A meu lado um rapaz (digo eu, porque tinha menos de 30 anos) a falar ao telemóvel (em árabe?). De trás vem o comentário, dito com a certeza de que te ouvem e aceitam: "ab in die Heimat!". Qualquer coisa como "vai para a tua terra".
Dou-me conta do mundo no espaço de um segundo.
Somos todos árabes, africanos, no pior dos casos até ambas as coisas...
Olho para trás, já nas tintas para o frio, com o olhar de leoa mal disposta (nem é por ontem, mas sim pelo que acabo de ouvir). Digo entre-dentes um "fosga-se" alemão, num tom tal de desafio, que o velho, de gorro russo, sobrolho húngaro, gordura checa e parvoíce austríaca, engole com respeito.
Raios partam estes gajos.
Suponho que rassismo tem a ver com um sentimento de superioridade. Mas isto aqui é medo puro. Medo de um gajo que vai a falar ao telefone, medo de não estar a perceber as tricas, medo de ser atirado para a própria ignorância nos segundos em que passam por ti a falar como tu nunca falarás, porque não sabes a língua. Medo de gritar de medo e preferir rosnar.
Raios partam estes gajos.
Não é isto que EU quero que faça parte da minha vida.
Decididamente.
Dou-me conta do mundo no espaço de um segundo.
Somos todos árabes, africanos, no pior dos casos até ambas as coisas...
Olho para trás, já nas tintas para o frio, com o olhar de leoa mal disposta (nem é por ontem, mas sim pelo que acabo de ouvir). Digo entre-dentes um "fosga-se" alemão, num tom tal de desafio, que o velho, de gorro russo, sobrolho húngaro, gordura checa e parvoíce austríaca, engole com respeito.
Raios partam estes gajos.
Suponho que rassismo tem a ver com um sentimento de superioridade. Mas isto aqui é medo puro. Medo de um gajo que vai a falar ao telefone, medo de não estar a perceber as tricas, medo de ser atirado para a própria ignorância nos segundos em que passam por ti a falar como tu nunca falarás, porque não sabes a língua. Medo de gritar de medo e preferir rosnar.
Raios partam estes gajos.
Não é isto que EU quero que faça parte da minha vida.
Decididamente.
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estado de espírito
Montag, 21. Februar 2011
![]() |
| Sudão, foto de Kevin Carter, 1993 |
Esta notícia de hoje deixou-me estranhamente confusa.
Faria eu tal foto?
Enxotaria o abutre a seguir? ou antes?
Suicidar-me-ia por ganhar um prémio com ela? ou apesar dele?
Chamaria hoje de "abutre" ao fotógrafo de 1993? ou tê-lo-ei feito na altura e já não me lembro?
Ou sequer achei a foto excelente pelo que apresenta e nem pensei no assunto? Voltaria um dia a pensar nisto tudo, como fez o jornal espanhol, e iria (como ele) à procura do miúdo da foto?
E trata-se de um documento, de fotojornalismo? pode dizer-se que é uma bela foto?
Como disse: estou estranhamente confusa.
Não sei que sentir, para que lado me virar, de quem ter mais pena, se devo sequer sentir pena.
Não é o silêncio ante o horror que acaba com ele.
Morreram todos. O bébé, o fotógrafo e, certamente, o abutre.
E o horror continua.
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notícias
Donnerstag, 10. Februar 2011
Necro 3
Outro que faria ontem 80 anos era Dean. James Dean.
Ok. Já mandava o Bernhard às urtigas.
Entre a real capacidade de ser incapaz [do outro] e esta belíssima incapacidade de ser capaz, tenho as minhas dúvidas existenciais de quarta-feira à noite mais que resolvidas.
Gajas!
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necro
Necro 2
Thomas Bernhard faria hoje 80 anos (quer dizer, ontem, porque já passa da meia noite, mas enfim...).
Não sei se faz sentido estender aniversários em vida a comemorações do que podia ter sido se ainda fosse caso de se viver, sobretudo sendo essas comemorações levadas a cabo por pessoas que não nos amaram então, porque simplesmente não faziam parte do nosso mundo... mas pronto, faria 80 anos.
E eu, se me cruzasse agora com este senhor numa rua de Viena, acho que era bem capaz de me apaixonar. E esta minha sensação de saudade apaixonada comove-me.
Mas que sentido faz pensar com saudade numa pessoa que nunca vimos e pouco lemos?
Porque, do que sei, Bernhard é a minha Praça dos Heróis - enorme, aberta, e palco de todas as imbecilidades. O distanciamento dele para com os de cá é a minha distância para com este país, o seu tom seco a minha vontade de secura ... e a capacidade genial que ele tinha, de do alto do seu imenso aborrecimento e enorme incapacidade física de lidar com a vida de treta de todos nós, não se deixar seduzir por ninharias terrenas, essa capacidade de ser incapaz é o meu maior desejo actual. Mais do que apaixonar-me por ele, acho que queria mesmo era um sopro do seu desinteresse ante a funcionalidade exigida pelos que nos rodeiam.
Não sei se faz sentido estender aniversários em vida a comemorações do que podia ter sido se ainda fosse caso de se viver, sobretudo sendo essas comemorações levadas a cabo por pessoas que não nos amaram então, porque simplesmente não faziam parte do nosso mundo... mas pronto, faria 80 anos.
E eu, se me cruzasse agora com este senhor numa rua de Viena, acho que era bem capaz de me apaixonar. E esta minha sensação de saudade apaixonada comove-me.
Mas que sentido faz pensar com saudade numa pessoa que nunca vimos e pouco lemos?
Porque, do que sei, Bernhard é a minha Praça dos Heróis - enorme, aberta, e palco de todas as imbecilidades. O distanciamento dele para com os de cá é a minha distância para com este país, o seu tom seco a minha vontade de secura ... e a capacidade genial que ele tinha, de do alto do seu imenso aborrecimento e enorme incapacidade física de lidar com a vida de treta de todos nós, não se deixar seduzir por ninharias terrenas, essa capacidade de ser incapaz é o meu maior desejo actual. Mais do que apaixonar-me por ele, acho que queria mesmo era um sopro do seu desinteresse ante a funcionalidade exigida pelos que nos rodeiam.
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Necro 1
Maria Altmann morreu há 2 dias.
Quem? A sobrinha da Adele do Klimt. Um dos mais belos quadros dele, dos mais dourados quadros que eu já vi, dos quadros que mais barulho fez neste desterro - porque simbolizou a restituição de obras de arte "anexadas" durante a 2ª GG por este país, onde ninguém tem culpa de nada.
O estranho nesta morte foi a notícia que li sobre ela terminar com um comentário simples. Se a restituição dos quadros de Klimt (devolveram-lhe 5) tinha sido o melhor dia da vida dela, Maria, sobrinha de Adele? Que não. "Quando o meu marido me perguntou se queria casar com ele, quando o meu filho mais velho nasceu, e quando, ao nascer o terceiro filho me disseram "It's a girl!" - esses sim, foram os melhores dias da minha vida!".
Não sei se a pergunta foi feita por um jornalista austríaco, mas é bem provável.
Quais são então os dias mais felizes? Aqueles em que nos devolvem o que nos podia ou devia pertencer? Não. Aqueles em que vivemos mais intensamente. Os dias felizes são os dias que não nos pertencem, que não penduramos na parede, que não foram devolvidos.
Que fazer então, Estela, com todos estes dias anexados por outros ?
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Montag, 17. Januar 2011
44 = 48° 12′ 0″ N, 16° 22′ 0″ E
Passei o domingo a tentar existir no mundo onde fisicamente vou estando. Fiz um esforço para tentar estar aqui, em Viena, com o que Viena tem de melhor para mim. E consegui. Quase...
O que Viena tem de melhor esteve, de facto, comigo.
Vieram pessoas queridas dar-me abraços e coisas lindas, que deviam marcar aquela segunda-feira em que assim que apanhei o meu pai longe decidi vir ao mundo ;) [pelo menos era o que a minha mãe contava, sem infelizmente se dar conta do presságio envolvido].
Vieram dar-me abraços e coisas lindas, conversar, passar o tempo.
Que mais se pode desejar de alguém, além de que queira passar o tempo contigo?
Pois. Suponho mesmo que só, que alguém queira passar o tempo contigo onde queiras estar.
Hoje não pensei no mar, embora a cozinha cheirasse o dia inteiro a pasteis de bacalhau fritos ao amanhecer. Não pensei em quem não vive cá, embora a casa estivesse cheia de recordações. Não mexi no passado, nem mexi uma palha do futuro. Hoje não fiz o dia, tentei que o dia simplesmente fosse o que é. E o dia foi cheio de boa vontade. De sinceras boas intenções. Um dia melhor.
E no fim de tudo, fizemos 11 fotos malucas, eu e os meus filhos.
Gostava de poder dizer que as verdadeiras coordenadas são os dias em que os meus filhos fazem anos.
Mas continuo a não existir.
O que Viena tem de melhor esteve, de facto, comigo.
Vieram pessoas queridas dar-me abraços e coisas lindas, que deviam marcar aquela segunda-feira em que assim que apanhei o meu pai longe decidi vir ao mundo ;) [pelo menos era o que a minha mãe contava, sem infelizmente se dar conta do presságio envolvido].
Vieram dar-me abraços e coisas lindas, conversar, passar o tempo.
Que mais se pode desejar de alguém, além de que queira passar o tempo contigo?
Pois. Suponho mesmo que só, que alguém queira passar o tempo contigo onde queiras estar.
Hoje não pensei no mar, embora a cozinha cheirasse o dia inteiro a pasteis de bacalhau fritos ao amanhecer. Não pensei em quem não vive cá, embora a casa estivesse cheia de recordações. Não mexi no passado, nem mexi uma palha do futuro. Hoje não fiz o dia, tentei que o dia simplesmente fosse o que é. E o dia foi cheio de boa vontade. De sinceras boas intenções. Um dia melhor.
E no fim de tudo, fizemos 11 fotos malucas, eu e os meus filhos.
Gostava de poder dizer que as verdadeiras coordenadas são os dias em que os meus filhos fazem anos.
Mas continuo a não existir.
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filosofia dominical
Dienstag, 11. Januar 2011
não há mais metafísica no mundo senão chocolate asteca
2012 não será nada, comparado com 11.1.11.
quando amanhã acordar estarei numa nova era.
quando amanhã acordar estarei numa nova era.
| Estela maia para hoje | ||||||||||||
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