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Montag, 8. August 2011

a "Súplica" de Miguel Torga na minha boca

Agora que o silêncio é um mar sem ondas,
E que nele posso navegar sem rumo,
Não respondas
Às urgentes perguntas
Que te fiz.
Deixa-me ser feliz
Assim,
Já tão longe de ti como de mim.

Perde-se a vida a desejá-la tanto.
Só soubemos sofrer, enquanto
O nosso amor
Durou.
Mas o tempo passou,
Há calmaria...
Não perturbes a paz que me foi dada.
Ouvir de novo a tua voz seria
Matar a sede com água salgada.

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Não se iludam. Estou a pensar em 3 pessoas.
E a sentir imensa vontade de engolir grandes goles de água salgada.... Afogar-me nisso de sentir. E não me deixam. Cabrões.

Mittwoch, 27. April 2011

um conto de fadas é um conto de fadas é um conto de fadas


Na sexta-feira estarei agarrada à televisão a ver o casamento real :)
Não sei se é o lado feminino, o lado infantil ou o lado maternalista que mais se enfeitará dentro de mim. Também não quero saber.
Quando a princesa Diana foi para a Escócia em lua de mel, a minha mãe copiou uma das camisolas que ela trazia vestida, numa reportagem da Hola. Lembro-me da reportagem como se tivesse folheado a revista ontem. E lembro-me do entusiasmo e da precisão da minha mãe, ao escolher o tom de castanho mais aproximado ao castanho espanhol impresso, ao tricotar a camisola para depois combinar – como na revista – o decote com uma saia que a minha tia lhe teve de fazer, a condizer com a princesa, com a revista, com a monarquia.
A minha mãe nunca pareceu uma princesa.
Mas pelo fim que levaram ambas, suponho que reconhecia nela a mesma impotência, antes mesmo de o mundo dar por isso – em ambas.

Casaram e a minha amiga inglesa mandou-nos uma colher foleiríssima [palavra muito em voga nos dias de hoje ;) ].
Tiveram filhos e eu vi-os crescer.
Divorciaram-se e eu pensei o mesmo.
E depois morreu, aquela princesa universal, muito mais universal que a Amidala.

Cresci com aquela família inglesa, sabendo que não era a minha, que não era o que eu queria, que nunca seria nada do que eu achava necessário ao mundo. Mas há um enlevo de que não me liberto, uma ternura estranha quando olho para aquelas pessoas de papel, que existem e não existem. O anacronismo é tal, que é como se os contos de fadas não fossem histórias de ler à noite, mas histórias do tamanho das nossas vidas.

Hoje, sabendo que na sexta-feira vou ver televisão, não me compreendo, não me percebo, tenho até dó de mim. Mas sei que na sexta me estou nas tintas para mim e serei a minha mãe, por um anacrónico e maluco par de horas.

Samstag, 2. April 2011

virei o bico ao prego


Acabo de pregar dois pregos na parede.
E não, não é esta a parte da notícia que mais interessa.
A verdade é que pendurei dois quadros em paredes que não queria esburacar. Fazer buracos nestas paredes significa aceitar que estas são as paredes. As paredes da minha casa. A minha casa nesta cidade. Nesta cidade que não é minha, nem quero que seja. Decidi pendurar os quadros porque me deram pena, assim meio tortos e encostados, eles ainda mais desterrados que eu e com menos culpa, há um ano já a fingirem-se decorativos.
Pendurei os quadros e não aconteceu nada.
Não me doi nada. Nem tenho medo de me ir embora sem ter valido a pena o tempo que estão pendurados.
Posso partir amanhã e lá estão eles hoje, direitinhos e vivos, nessa existência sublime de agradar sem proquê.
Estou bem, acho até que ainda vou pendurar as fotos de família, das férias, do piriquito que não tenho e aqueles quadros de búzios e aquela tela alemã e o poster do concerto do Dylan e .... depois pirar-me desta casa assim que puder :)))

Sonntag, 20. März 2011

Vienne, potiche toi!

Os dias passam.
Viena desistiu do frio.
A chuva é muito mais eficiente quando se trata de azucrinar a alma.
...
O dia foi salvo por uma francesa.
A alma de uma mulher não se deixa azucrinar pela meteorologia pindérica desta Europa de Leste.
Deneuve forever ;)

Mittwoch, 16. März 2011

obviamente cansada

Estou sem força.
Sem força para o óbvio.
Sem força para dizer ao mundo o que o mundo já sabe.

Que tem de ter cuidado com o urânio.
Que deve é jogar golfe com as cabeças de alguns.
Que a guerra não deve nunca ser missão ou causa essencial do futuro de nada.
Que o relatório mundial da agricultura continua a estar subscrito apenas por 58 países.

Que a metafísica e o chocolate são doces feitos de "amargura".
Que Sean Penn é um heroi.
Que estou sem força.

O mundo sabe e eu sei.
E não adianta de muito. Nem a ele, nem a mim.

Dienstag, 22. Februar 2011

fosga-se

Eu a caminho de casa, de passo apressado, exigido pelos 8 graus negativos. A meu lado um rapaz (digo eu, porque tinha menos de 30 anos) a falar ao telemóvel (em árabe?). De trás vem o comentário, dito com a certeza de que te ouvem e aceitam: "ab in die Heimat!". Qualquer coisa como "vai para a tua terra".

Dou-me conta do mundo no espaço de um segundo.
Somos todos árabes, africanos, no pior dos casos até ambas as coisas...

Olho para trás, já nas tintas para o frio, com o olhar de leoa mal disposta (nem é por ontem, mas sim pelo que acabo de ouvir). Digo entre-dentes um "fosga-se" alemão, num tom tal de desafio, que o velho, de gorro russo, sobrolho húngaro, gordura checa e parvoíce austríaca, engole com respeito.

Raios partam estes gajos.
Suponho que rassismo tem a ver com um sentimento de superioridade. Mas isto aqui é medo puro. Medo de um gajo que vai a falar ao telefone, medo de não estar a perceber as tricas, medo de ser atirado para a própria ignorância nos segundos em que passam por ti a falar como tu nunca falarás, porque não sabes a língua. Medo de gritar de medo e preferir rosnar.
Raios partam estes gajos.
Não é isto que EU quero que faça parte da minha vida.
Decididamente.

Dienstag, 11. Januar 2011

não há mais metafísica no mundo senão chocolate asteca

2012 não será nada, comparado com 11.1.11.
quando amanhã acordar estarei numa nova era.

Estela maia para hoje
Tzi 12 1212Baktun
KaNone.pngKa
Tun
19 191919Katun
18 181818Tun
   Winal
7 7Kin
6 6 Manik'
   Muan

Dienstag, 4. Januar 2011

"sou uma mulher infeliz de 42 anos e chamo-me Romy Schneider"


Ontem, recostado no sofá lá da loja, um amigo, poeta vanguardista e homem de vida sofrida, contava-me que uma das suas mais belas e sentidas citações era uma frase atribuída a Romy Schneider. " Se eu, pelo menos tivesse podido sentir um pouco de felicidade na vida"...

De um momento para o outro
o meu último post - de optimismo duvidoso - perdeu todo o sentido, estalou e esfumou-se... há imensas vidas que correm mal. Montões de pessoas que do princípio ao fim se debatem com adversidades, perdas, encruzilhadas danadas e difíceis, más escolhas, momentos horríveis, etc e tal, tudo lineal, como se a vida não se descuidasse um minuto sequer.

Qualquer coincidência boa pode ser apenas isso.
E se esta minha vida for mesmo aquela das imensas pessoas que por muitas razões não alcançam a felicidade?
Seria melhor eu saber isso agora, a 4 de Janeiro de 2011, com praí metade da vida atrás de mim, ou continuar a comer passas todos os anos como uma estúpida?

Montag, 3. Januar 2011

a linha recta nada tem de divina

Precisei de 3 dias para me decidir, mas está feito: desta vez não há lista de propósitos, de objectivos, de desejos. O ano de 2011 está aí e eu não estou decidida a dizer-lhe o que quero que aconteça.
Não há nada que eu possa esperar do ano, que o ano me traga por ser o que espero.
Comi as passas, mas como sempre, perdi-me no meio das badaladas... não tenho 12 desejos, não faz sentido repeti-los e às tantas, à sétima ou oitava, dou comigo a saber que tudo não passa de uma invenção.

Suponho que é a minha própria falta de ânimo que desacredita as bruxarias. Ou um certo desencanto ante a verdade real deste mundo e o velho sonho do eterno retorno. Os mais espertos de nós, que sabem que o que volta vem diferente, chamam-lhe espiral ;)

Seja como for, esteja eu de branco ou não, salte as sete ondas ou vista roupa novinha em folha, o ano virá e será. Não sei onde estarei daqui a um ano e, sinceramente, não quero sequer escolher a estrada, o virar da esquina, a curva a dar a isto. A decisão maior está tomada, pelo que a vida sabe por onde ir e irá :)

É deixar que aconteça.

ps - vamos lá a ver quanto tempo eu aguento esta estranha forma de optimismo ;)
pps - o título do post é a minha versão da frase "Die gerade Linie ist gottlos" de Friedensreich Hundertwasser

Dienstag, 14. Dezember 2010

Carta ao Pai Natal

Querido Pai Natal,
quando eu era menina, era o Menino Jesus que esvoaçava por entre as prendas e se escondia no pinheiro de luzes coloridas -  que nunca eram tão lindas como as outras, que enfeitavam as árvores do Rossio, até onde a gente descia com o avô, para ver a magia do Natal acontecer.
Quando eu era menina, o vizinho do terceiro andar tocava à porta e deixava uma lembrança vinda de ti. A minha mãe, de uma doçura eterna, trocava com ele os pacotinhos coloridos, para que o Natal chegasse ao terceiro andar também. E mais além.
Não me lembro de escrever cartas ao Pai Natal.
Talvez por isso algumas das minhas prendas mais queridas tenham ido parar a outro lugar. Talvez.
Mas anos depois, os olhos dos meus filhos prendiam-se na árvore de Natal e as cartas ao Pai Natal passaram a ser colocadas na janela, umas atrás das outras, com recortes e desenhos, pedidos longos e desejos maravilhosos. Hoje há serões a escrever postais, e noites escondidas a embrulhar prendas. Os meus filhos sabem: o Pai Natal traz prendas a quem acredita nele. Para os outros, que não acreditam, são os pais e os amigos, os entes queridos, que enfeitam embrulhos cheios de boas ideias e intenções.

Cá em casa o Pai Natal traz presentes, leva presentes, deixa migalhas espalhadas pelo chão e, em dias de muito correrio, já demos com caracóis de anjos caídos num canto…
De quando em vez peço a Deus e ao mundo um ou outro presente.
Paz, Saúde e alegria, umas vezes mais para mim, outras mais para os outros.
Pedidos materiais não tenho. Gosto de livros e música, de viagens, de passeios, de boa comida e de estar com os meus amigos. A vida vai trazendo e levando esses presentes conforme calha. E está certo que assim seja.

Mas escrever ao Pai Natal e não pedir nada é muito estranho.
Por isso, tomo coragem, respiro fundo e peço:
Pai Natal, o que eu gostava mesmo era de um limpa-mágoas. Um limpa-mágoas é uma daquelas máquinas de teletransporte! Que teletransporta amigos… dizem até que pode mais… uma teletransportadora para os amores que me faltam, ou para que na próxima vez que a minha amiga Madalena faça um esparguete com cogumelos, eu magicamente receba um prato cheio, uma teletransportadora enorme, onde caiba o sofá para onde a Lena e os miúdos se atirarão quando me vierem visitar um dia. Uma geringonça capaz de levar-me ao cinema com a Bárbara para que tire férias dos miúdos por uma noite, ou que me permita ir jantar com o pessoal da escola sem grandes planos e gastos. Que em noites de céu limpo me deixe teletransportar o Zé para um passeio a pé, ou quando o tempo estiver mesmo mau, que eu possa limpar as mágoas da Aldina, as dores de cabeça do Guilherme ou a dor d'alma do Carlos. Um limpa-mágoas automático, onde os lenços de papel sejam como que velas do meu rio Tejo, que tanta falta me faz. Esta teletransportadora que te peço não é cor-de-rosa! Tem de ser da cor da vida que me falta. Da cor dos risos do liceu, da cor do sol esquinado nas colinas, da cor do mar ao entardecer, da cor das minhas saudades. E não acredito que funcione a pilhas, porque o mundo não está para essas coisas, mas prometo cuidar dela, usá-la, partilhá-la. Ser absolutamente teletransportada! Limpar mágoas.

Pai Natal, manda-me um limpa-mágoas que estou mesmo a precisar, um beamer de vida, de amizade, de carinho e amor. Uma máquina de fazer esticar a minha força.
Que venha desmontada e sem instruções, mas que chegue.
Obrigada.
Estela, 1967

Freitag, 10. Dezember 2010

a história dos dias

Faz hoje 19 anos que vim para aqui onde estou.
Faz também 16 anos que a minha mãe morreu, não morrendo logo.
Normalmente este dia é passado em recolhimento mental, o mais longe de mim mesma quanto eu consigo estar, em 24 horas que no fundo não significam nada. Todos os dias são dias de acontecimentos. Não é por aí que vem mal ao mundo, salvo seja. Pelo menos é esse o esforço em que estão envoltos os dias 10 de todos os Dezembros, de há 20 anos para cá.

Hoje a coisa tem outro peso.
Daqui a 4 anos estarei a meio caminho.
Estarei tantos anos aqui como lá, aí.
E além do mais, daqui a 4 anos não quero estar aqui.
Conseguirei estar mais anos em casa do que fora dela?
É possível estar tantos anos noutro sítio e não ter como chamar-lhe nem lar nem pátria nem espaço próprio?
Porque é que os primeiros 24 marcam mais que os segundos?
Como gerir os 4 anos que faltam para lhes mudar o rumo de forma definitiva? Onde estarei no próximo dia 10 de Dezembro?
(é a primeira vez que me faço esta pergunta!)

E depois, as datas servem exactamente para quê?
Se servem para medir e pesar o que a elas está ligado são absolutamente desnecessárias. Essas coisas ou andam connosco sempre ou não andam, e não andando perdem serventia, perdem sentido, deixam de ser importantes. As datas do mundo são outra coisa. A Declaração dos Direitos Humanos é de 10 de Dezembro de 1948, neste mesmo dia, mas já em 1860 é pela primeira vez na história é concedido o voto às mulheres (no Wyoming, quem diria!) etc e tal, nada de especial também...

A verdade é que os dias não têm história.
Somos nós que temos história. A minha história junta neste dia todas as perdas e ganhos de tudo o que sou. Míseras 24 horas sem significado nenhum que me descontrolam. A minha independência começa no mesmo dia em que se torna dependente de outra coisa, o meu amor a crescer e a morrer ao mesmo tempo, ganhar e perder as pessoas quem em momentos diferentes eram as mais importantes, estar - ainda hoje - sem saber para que lado me virar, se para o 9 se para o 11. Etc. Mais uma vez: etc e tal.

E sim, olhar para a frente, não dar espaço à depressão, pensar positivo. Trálálá.

Um impasse. A história dos dias não é história. É um impasse.
Os dias sem história, agarrados uns aos outros pela nossa necessidade de nomear o mundo.
Quero que o mundo se esfarele!
A dor não tem nome nem história. Existe. Ou está lá ou não.
Hoje sim.

Donnerstag, 9. Dezember 2010

sentir os sentidos


Hoje tive de começar com uma dose cavalar de cortisona para tentar evitar ficar com falhas auditivas para sempre. Tudo por causa daquela palerma otite. Enfim, coisas da vida, de gente a envelhecer.
Mas o interessante mesmo foi aquele curto momento de desespero ao escutar que uma parte de um dos meus sentidos pode ficar atrufiada para sempre.
Quando andava na escola contava-se, em jeito de anedota, que o mais importante dos sentidos, aquele que mais falta faz, não é o mais óbvio. À pergunta "Qual dos 5 sentidos é o mais importante para ti?" nós putos respondíamos quase sempre com os invariáveis 2: ver e ouvir... os mais sensíveis falavam do cheiro e do sabor e a maioria achava o tacto pouco interessante. E nós gajas fazíamos sempre um comentário suplementar e esplenderoso sobre a intuição feminina. Brincámos a isto horas a fio e a resposta final era: o tacto é o mais importante. Sem mãos não tocas em ninguém, não tocas em nada, não te vestes nem despes etc e tal, estás dependente de tudo e de todos. E o pasmo das caras do óbvio parecia dar razão a isto.
Hoje voltei a pensar nestas coisas.
De facto, mesmo havendo aparelhos auditivos invisíveis, muito cool e potentes, atravessou-se-me o sentimento da falta de música, da voz dos meus filhos, do som urbano, do meu Poço dos Negros cheio de música africana e retornados-para-lado-nenhum que encheu a minha infância. Não é o silêncio que assusta. O silêncio ocupa lugar. Poderá dar em loucura, mas está lá.
Ao contrário dele, a falta de som é uma perda irreparável.
Será que Jack Johnson soa ainda havaiano se o ouvir através daquele ouvido de silicone? Ou que os meus filhos são de repente mais bem comportados porque os oiço filtrados? Ou que as cidades passam a soar todas iguais, porque nenhum som as distingue? hmmmm
Hoje já foram 4 comprimidos de uma vez só, amanhã serão três, depois dois, depois um.
Simplesmente não me interessam as modernices da medicina.
Quero sentir os meus sentidos.
Todos.

Sonntag, 28. November 2010

o terceiro espaço sociológico é no fim do mundo à esquerda

Três portuguesas numa noite fria, mas ainda decentemente fria, no coração da Europa, sem música à altura.
Uma a gostar desta vida, outra da outra vida, e uma terceira sem vida a inventar que tem uma. Diz-se que Sankt Pölten é no fim do mundo, mas não é. Alarga-se o Índico uns sete metros, mas tudo continua perto. Só o terceiro espaço da sociologia continua por traçar.
Identidade cultural, emigração e o terceiro espaço que ocupamos e preenchemos sem saber como.
Já não somos o que fomos, não somos o onde estamos, não seremos mais o que ficou para os outros. Inventamos um espaço à nossa medida, envolto em montranhas ou ondas, em aldeias a armar em mundos, impérios desfeitos ou sonhados. Um terceiro espaço sociológico não é nem o sítio onde vivemos, nem o sítio onde trabalhamos, é o que sobra. Curiosamente, a emigração constroi também um terceiro espaço linguístico, ainda mais étero que o outro, bem mais emocional, muito menos delineado. Palavras e frases transportas para outra língua, vividas com outro sentimento, usadas de acordo com novas vivências. Passagens muito mais benjaminianas do que o Walterzinho alguma vez sonhou.
Resumindo, a matemática continua longe de todas as realidades sentidas e o espaço de intersecção dos conjuntos não é na vida o que pertence simultâneamente aos dois conjuntos. É só virar na esquina!
Há um espaço, no fim do mundo à esquerda, bem no meio de um coração emigrante, que está vazio de conteúdo, vazio de simultâneidade, vazio.
Uma das três portuguesas, a que vive sem vida, aprendeu a muito custo que a terceira dimensão não existe. O volume não existe, o peso não existe, a distância não ocupa espaço. A vida é um filme, uma foto, simplesmente bidimensional. Sem mariquices.
E a sociologia é uma treta.


Links relacionados:
{a, b, c, d, e} ∩ {b, c, d} = {b, c, d }
http://www.zunftwissen.org/de/index.php/Dritte_Orte
http://conferencias.ulusofona.pt/index.php/sopcom_iberico/sopcom_iberico09/paper/viewFile/312/292

Donnerstag, 26. August 2010

setembro e agosto
















diziam que agosto era o mês das colheitas
com os campos de cevada preguiçosamente embalados na luz do entardecer.
mas o que chegou primeiro foi setembro.
e setembro durou anos.

repetidamente
a colheita da minha vida
era o apanhar das missangas caídas do colar da tua
o pulso fechado a fugir de esquinas e tiros
a saudade imensa de olhares tristes, mas quentes.

setembro durou anos.

e agosto acabou por vir como estava prometido
explodindo e barafustando pelos campos
como em áfrica e no fim do mundo.

e eu farta
de segurar as pontas todas deste mundo redondo
e das vidas nele enterradas, quando o sol ainda vai alto
e o outono promete o que não traz.

hoje, é a primeira vez que sinto a vossa falta
sem nada mais além da falta que vocês me fazem. ambos.
no calendário
agosto e setembro deixaram de existir.
o que há são os dias
em que volto a ser filha.

Freitag, 7. Mai 2010

hoje, quase saltitava pela rua, com o jorge palma no ouvido e meio nas tintas para o sol indeciso.
ninguém na cidade nota o regresso da maré.
eu noto.

maré alta, maré alta...
:))

Dienstag, 30. März 2010

o barulho dos eléctricos é como as ondas do mar

sentada no chão com o laptop nos joelhos, entre caixas e mais caixas, o pequenino adormecido no sofá, a grande a ver o dr.house e os eléctricos a passarem barulhentos e agradavelmente repetitivos lá embaixo, como na minha infância, não consigo deixar de deixar escapar um sorriso.
quando era miúda, dormia muitas vezes em casa da minha avó. era embalada por dois sons, que se alternavam a custo. o do relógio a dar horas e meias-horas. e o dos eléctricos que passavam ora no cimo ora no fundo da rua. nos dias de melhor sorte a minha avó encostava-se ao varandim lá pela meia-noite, a ver passar a camioneta do lixo e eu com ela. estávamos assim, uns 10 minutos a ouvir aqueles ruídos citadinos com enlevo. a cidade era um sossego!

a minha mãe contava que se lembrava de ouvir as peixeiras e a mulher da fava frita a passar. eu só me lembro do amolador...

claro que Viena não se deixa levar por modas antigas. nada de pregões ou vendedores ambulantes ... mas os eléctricos aqui, ainda que haja muitos modernos e cheios de boas maneiras, são tão barulhentos como os da minha infância.
o que ajuda a sublinhar este estado de graça, de que finalmente a vida mudou ontem para melhor!

finalmente.
eu com a vida na mão.

Mittwoch, 17. März 2010

estado do mar 1

é estranho
saber que a vida vai mudar completamente daqui a uns dias e não ter como antecipar a coisa. desde que me lembro de mim tenho repetidamente que obrigar-me à paciência. e ainda não sei como isso se faz.

a paciência tem algo de distenção muscular e respiração abdominal, coisa que eu, muito churchill-iana nessas coisas, nunca soube bem como se sentiam.

vem aí o mar aberto :)
tem mesmo de dar para distender - tudo!

Sonntag, 7. März 2010

cry me a river

há uma data de versões no youtube, tudo muito a imitar tudo e a fingir que é jazz - só se safa uma versão velhinha e genial da Ella Fitzgerald e esta aqui. chora-me um mar a ver se eu te perdoo ;)

quem diria que isto é de 67...
uma mulher de armas e uma belíssima canção!

Freitag, 12. Februar 2010

vida de lagartixa

ao que nós chegámos!!!!
adoro aquelas respostas do tipo "vai depender da sorte e dos resultados"... pois... e não é que fico práqui a pensar que por estes lados, nevados, cinzentos e muito pessoais, será tudo mais uma questão de resultados e de sorte?...
faque - tou como o clube: objectivamente é apontar para, pelo menos, ainda ficar no mundo, mesmo que não dê para ganhar nada...

:(

Freitag, 5. Februar 2010

notas ao som da marcha



casei ao som desta música.
no filme depardieu diz "non" - devia estar a adivinhar ;)...

com o passar dos anos, sempre que ouvia isto sentia-me outravez a ver o filme. hoje dei-me ao trabalho de escutar 4 versões diferentes desta obra. a ver o que dava.

enfim, quando era mais menina e mais ingénua achava que se tivesse a vida da Elisabeth Taylor iria juntar os nomes dos maridos todos uns aos outros, em vez de os substituir. a ver o que dava.

as quatro versões que ouvi hoje não serviriam para casamento nenhum!
esta versão - de jordi savall - continua a ser única!

a Elisabeth Taylor deve ter sabido que a vida que temos não é feita de juntar nomes.

esta é a música do abismo.
 a minha do meu.