Li isto
AQUI e achei tão infantil, que tenho de escrever umas linhas.
Acho que nenhuma das pessoas que me lê acredita em Deus, pelo que estou à vontade para expor a minha dúvida ;)
Se bem entendo, o batismo-sem-p é um momento de aceitação na comunidade católica, feito por quem acredita que um novo membro da família deve, num breve festejo, ser oficialmente presente à família religiosa a que pertence (mesmo que ainda não o saiba, mesmo que mais tarde não o queira). Se o acto quebra o feitiço do pecado original ou não, se sem ele não nos salvamos ou não - isso é outra conversa. Mas o acto de batizar uma criança é feito pelos pais, pela família, e tem o peso que qualquer rito de passagem tem: daqui para ali e mais nada.
Comparar isso ao futebol já é uma parvoíce. Mesmo havendo pais benfiquistas ferrenhos que vão do cartório onde registaram o nascimento, à Luz dos seus sonhos, fazer do rebento um benfas sem que ele tenha voto na matéria. Porque é aqui que a porta torce o rabo. O que eu acho realmente estranho é a necessidade que uma pessoa tem de se desbatizar só porque não acredita em Deus.
Vamos lá a ver. Eu batizo o filho porque desejo que a comunidade religiosa em que vivo (e acredito, senão não o batizo) o receba. Ok, não depende da vontade do meu filho. Mas é como comer bifes (e depois cresce e é vegetariano) ou vestir calças à boca-de-sino (e depois dá em polícia), etc. Enquanto são putos o mundo deles é o que os rodeia. Bons pais são capazes de fazer coexistir o mundo em que vivem (e acreditam) com todos os outros possíveis, para que os seus filhos cresçam com liberdade de opinião, de escolha, de expressão. Para que sejam eles próprios e não iguais ou diferentes deles. Ok, o puto cresce e sente que não acredita em Deus e não quer fazer parte desse "clube". Desbatiza-se.
Agora vem a minha dúvida: acham estes senhores da notícia que assim repôem a sua virgindade religiosa? não o fazem.
Primeiro porque o exemplo está mal dado: se se sente do Porto a pagar cotas do Benfica, está ainda no mundo do futebol. Ora, quem é ateu não liga a religiões nenhumas, portanto não gosta do Porto, porque paga as cotas do Benfica, mas simplesmente não gosta de futebol.
O segundo erro é que o senhor batizado não está a pagar cotas nenhumas. Ou em Portugal já se paga para ser católico?
Na Áustria, por exemplo, paga-se um imposto religioso. A Igreja sabe exactamente quanto ganhas e que emprego tens e desconta-te logo. Aqui sim, faria sentido falar em cotas. - mas pessoas que tenham sido baptizadas e abandonem a Igreja, por falta de convicção, por ateísmo ou por outra razão qualquer, abandonam a Igreja, deixam de pagar imposto, recebem um papelinho a dizer que já não são membros da Igreja Católica, mas não deixam de ter sido batizadas. Ainda que depois já não possam, por exemplo, ser padrinhos ou madrinhas de ninguém (o que me parece de uma coerência pouco usual nesta área).
A graça de Deus, a existir, está dada. Não se volta a tirar - isso são "estórias" que nos contam. Até porque "quem dá e torna a tirar ao inferno vai parar" e isso seria verdadeiramente contra-produtivo ;) !
E se a graça de Deus não existe, tanto faz como tanto fez.
Desbatizam-se para quê?
Expliquem-me por favor. A sério.