Donnerstag, 31. März 2011
Mittwoch, 23. März 2011
necro 5
Podia contar-vos que a minha filha não se chama Cleópatra.
Mas esteve quase para se chamar. O nome era uma mistura de Liz Taylor e daquele "belo nariz", no Asterix.
Toda a gente achava que havia um peso histórico no nome que nenhuma menina merecia.
Mas eu achava - e acho - o nome lindo. E hoje li no público que "a história de beleza da Cleópatra pertence a Elisabeth Taylor". Sim, e muito do que me agrada no nome daquela louca egípcia tem a ver com esta mulher tão forte que hoje se foi, de regresso aos braços do Burton.
Também vos podia contar que quando os austríacos gozavam com o meu nome austríaco agarrado aos outros apelidos portugueses, num comboio estranho de sílabas e sons, costumava responder-lhes que casaria ainda tantas vezes como a Taylor e juntaria ainda mais nomes estranhos aos meus, num comboio improvável de histórial de vida. Sublinhar-vos que entretanto desisti da ideia, mas continuo a achar que é um belo projecto ;)
Mas a verdade é que só me apetece encher este blog de fotos copiadas da net. Da Elisabeth Taylor. E dela com o Montgomery Cliff, da Taylor com o Newman, da Taylor com o James Dean, dela com o Burton, dela com o Rock Hudson, dela... da força dela... da sua enorme força...
Mas esteve quase para se chamar. O nome era uma mistura de Liz Taylor e daquele "belo nariz", no Asterix.
Toda a gente achava que havia um peso histórico no nome que nenhuma menina merecia.
Mas eu achava - e acho - o nome lindo. E hoje li no público que "a história de beleza da Cleópatra pertence a Elisabeth Taylor". Sim, e muito do que me agrada no nome daquela louca egípcia tem a ver com esta mulher tão forte que hoje se foi, de regresso aos braços do Burton.
Também vos podia contar que quando os austríacos gozavam com o meu nome austríaco agarrado aos outros apelidos portugueses, num comboio estranho de sílabas e sons, costumava responder-lhes que casaria ainda tantas vezes como a Taylor e juntaria ainda mais nomes estranhos aos meus, num comboio improvável de histórial de vida. Sublinhar-vos que entretanto desisti da ideia, mas continuo a achar que é um belo projecto ;)
Mas a verdade é que só me apetece encher este blog de fotos copiadas da net. Da Elisabeth Taylor. E dela com o Montgomery Cliff, da Taylor com o Newman, da Taylor com o James Dean, dela com o Burton, dela com o Rock Hudson, dela... da força dela... da sua enorme força...
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necro
Sonntag, 20. März 2011
Vienne, potiche toi!
Os dias passam.
Viena desistiu do frio.
A chuva é muito mais eficiente quando se trata de azucrinar a alma.
...
O dia foi salvo por uma francesa.
A alma de uma mulher não se deixa azucrinar pela meteorologia pindérica desta Europa de Leste.
Deneuve forever ;)
Viena desistiu do frio.
A chuva é muito mais eficiente quando se trata de azucrinar a alma.
...
O dia foi salvo por uma francesa.
A alma de uma mulher não se deixa azucrinar pela meteorologia pindérica desta Europa de Leste.
Deneuve forever ;)
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estado de espírito,
filmes
Mittwoch, 16. März 2011
obviamente cansada
Estou sem força.
Sem força para o óbvio.
Sem força para dizer ao mundo o que o mundo já sabe.
Que tem de ter cuidado com o urânio.
Que deve é jogar golfe com as cabeças de alguns.
Que a guerra não deve nunca ser missão ou causa essencial do futuro de nada.
Que o relatório mundial da agricultura continua a estar subscrito apenas por 58 países.
Que a metafísica e o chocolate são doces feitos de "amargura".
Que Sean Penn é um heroi.
Que estou sem força.
O mundo sabe e eu sei.
E não adianta de muito. Nem a ele, nem a mim.
Sem força para o óbvio.
Sem força para dizer ao mundo o que o mundo já sabe.
Que tem de ter cuidado com o urânio.
Que deve é jogar golfe com as cabeças de alguns.
Que a guerra não deve nunca ser missão ou causa essencial do futuro de nada.
Que o relatório mundial da agricultura continua a estar subscrito apenas por 58 países.
Que a metafísica e o chocolate são doces feitos de "amargura".
Que Sean Penn é um heroi.
Que estou sem força.
O mundo sabe e eu sei.
E não adianta de muito. Nem a ele, nem a mim.
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estado de espírito
Dienstag, 8. März 2011
Sonntag, 6. März 2011
código postal, de João Negreiros
gosto do poema,
mas gosto mais ainda do modo como ela o diz.
Código postal
As paredes desta casa já viram tudo
o sono
a fome
e um tambor perdido no meio da batalha
viram inquilinos fugir à pressa
e a treva que os ladrões trouxeram
as bulhas que desaguaram em carícias
as portas que bateram por conta do vento
e as janelas que partiram por conta de nada
mas cada vez que um vinha e entrava
dava a todos esta morada
e o correio trazia para o mesmo destinatário as cartas de amor de quem já não mora aqui
e eu não quero saber
abro-as e leio-as como se fossem minhas
como se fossem tuas
e violo-lhes a correspondência como se fosses tu
esqueço a letra e os erros de ortografia e imagino que me escreves todos os dias
e quando perguntam se mora aqui a dona Augusta
eu digo que sim
que sou eu
o senhor Gustavo?
sim
sou eu
o doutor Américo?
é o meu pai
a dona Lourdes?
é a minha mãe
a Maria de Fátima?
é minha filha
e o correio não faz perguntas porque sabe que não se deve perguntar nada a um homem apaixonado
e então faço de conta que os nomes sou eu
tapo o remetente
imagino-te o nome
e abro-a para sentir o teu perfume
e a carta começa assim
excelentíssimo senhor
e eu traduzo para
meu querido
e depois continua com
venho por este meio
e eu traduzo para
amo-te mais que a vida
e a carta do tribunal com aviso de recepção do homem que morava aqui e que não pagava a renda é a prova inequívoca de que me amas
todo aquele papaguear jurídico são longas descrições do país exótico onde vives exilada
é por isso que não podes vir
é por isso que não podes escrever
não te deixam
por isso escreves em código na pena dos que partiram
com cartas de tribunal e contas da luz antigas para me alumiar a esperança pedindo-me que espere
e sempre que o telefone toca e é engano
és tu
quando o galho comprido da árvore do vizinho bate na janela
és tu
quando buzinam na rua
és tu
quando as crianças cantam lá fora
é para te anunciar
eu sei
não tardas
estás para chegar
e quando chegares vais pedir desculpa pelo atraso
e vais dizer que fomos feitos um para o outro
e que a vida agora vai correr bem
e vais ser linda
e dar-me beijos quentes como um abafo para as orelhas
e vamos viver nesta casa um perpétuo amor
uma vida perfeita
sem nada que nos interrompa
e quando o carteiro chegar e fizer perguntas
dizemos que a dona Augusta não sou eu
dizemos que o senhor Gustavo não sou eu
que o doutor Américo era o meu pai mas morreu
que a dona Lourdes era minha mãe mas também se foi logo a seguir com o desgosto
que a Maria de Fátima
a minha pequenina de um casamento antigo
foi com a mãe para a Suíça
e que aqui moramos nós
sem história
sem família
sem passado
nesta paz que não existe
neste amor que nunca foi
mas que é para sempre
Poema do livro "o cheiro da sombra das flores"
de João Negreiros
mas gosto mais ainda do modo como ela o diz.
Código postal
As paredes desta casa já viram tudo
o sono
a fome
e um tambor perdido no meio da batalha
viram inquilinos fugir à pressa
e a treva que os ladrões trouxeram
as bulhas que desaguaram em carícias
as portas que bateram por conta do vento
e as janelas que partiram por conta de nada
mas cada vez que um vinha e entrava
dava a todos esta morada
e o correio trazia para o mesmo destinatário as cartas de amor de quem já não mora aqui
e eu não quero saber
abro-as e leio-as como se fossem minhas
como se fossem tuas
e violo-lhes a correspondência como se fosses tu
esqueço a letra e os erros de ortografia e imagino que me escreves todos os dias
e quando perguntam se mora aqui a dona Augusta
eu digo que sim
que sou eu
o senhor Gustavo?
sim
sou eu
o doutor Américo?
é o meu pai
a dona Lourdes?
é a minha mãe
a Maria de Fátima?
é minha filha
e o correio não faz perguntas porque sabe que não se deve perguntar nada a um homem apaixonado
e então faço de conta que os nomes sou eu
tapo o remetente
imagino-te o nome
e abro-a para sentir o teu perfume
e a carta começa assim
excelentíssimo senhor
e eu traduzo para
meu querido
e depois continua com
venho por este meio
e eu traduzo para
amo-te mais que a vida
e a carta do tribunal com aviso de recepção do homem que morava aqui e que não pagava a renda é a prova inequívoca de que me amas
todo aquele papaguear jurídico são longas descrições do país exótico onde vives exilada
é por isso que não podes vir
é por isso que não podes escrever
não te deixam
por isso escreves em código na pena dos que partiram
com cartas de tribunal e contas da luz antigas para me alumiar a esperança pedindo-me que espere
e sempre que o telefone toca e é engano
és tu
quando o galho comprido da árvore do vizinho bate na janela
és tu
quando buzinam na rua
és tu
quando as crianças cantam lá fora
é para te anunciar
eu sei
não tardas
estás para chegar
e quando chegares vais pedir desculpa pelo atraso
e vais dizer que fomos feitos um para o outro
e que a vida agora vai correr bem
e vais ser linda
e dar-me beijos quentes como um abafo para as orelhas
e vamos viver nesta casa um perpétuo amor
uma vida perfeita
sem nada que nos interrompa
e quando o carteiro chegar e fizer perguntas
dizemos que a dona Augusta não sou eu
dizemos que o senhor Gustavo não sou eu
que o doutor Américo era o meu pai mas morreu
que a dona Lourdes era minha mãe mas também se foi logo a seguir com o desgosto
que a Maria de Fátima
a minha pequenina de um casamento antigo
foi com a mãe para a Suíça
e que aqui moramos nós
sem história
sem família
sem passado
nesta paz que não existe
neste amor que nunca foi
mas que é para sempre
Poema do livro "o cheiro da sombra das flores"
de João Negreiros
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poemas
Samstag, 5. März 2011
Mittwoch, 2. März 2011
Paulo Sérgio zu Guttenberg
O ministro alemão da defesa copiou à brava na sua tese de doutoramento e depois de 2 semanas a dizer que enfim, estava cheio de stress por, na altura, ter tudo a acontecer ao mesmo tempo (o trabalho, a tese, o filho bébé, a vida familiar - olha-me a lata do menino!) lá decidiu hoje demitir-se. Lembra-nos uma ou outra pessoa conhecida, não é? (menos a demissão, claro!) ;)
Agora o que me leva a escrever hoje um post é o facto de 57% dos alemães acharem que não valia a pena ele demitir-se por tal coisa. Pensando no Paulo Sérgio e tal, também acho que não.
A vida que levamos está cheia de adversidades. Eu não posso demitir-me desta vida, continuando a viver. Tenho que viver com as minhas asneiras, corrigi-las, mudar o rumo dos erros, evitar erros semelhantes etc.
Agora nesses mundos de futebol e política, faz-se uma asneira e a maior consequência é deixar a asneira feita e ir apanhar ar... Sempre achei uma parvoíce haver treinadores de futebol a serem despachados por dá cá aquela palha. Até porque assisti a muitos jogos na minha vida, em que os 11 dentro do campo poderiam ter feito muito para mudar resultados adversos, seguindo ou não o treinador.
Até no domingo, nos Óscares, alguém disse que passados 3 anos sobre a maior crise financeira comprovadamente provocada por fraudes, nenhum dos envolvidos está preso ou teve de prestar contas.
Este pessoal devia ser obrigado a resolver o assunto antes de se ir embora. Mainada! O Sr. zu Guttenberg devia reescresver a sua tese, ao mesmo tempo que continuava a defender a Alemanha e só se ia embora depois disso ;)
Agora o que me leva a escrever hoje um post é o facto de 57% dos alemães acharem que não valia a pena ele demitir-se por tal coisa. Pensando no Paulo Sérgio e tal, também acho que não.
A vida que levamos está cheia de adversidades. Eu não posso demitir-me desta vida, continuando a viver. Tenho que viver com as minhas asneiras, corrigi-las, mudar o rumo dos erros, evitar erros semelhantes etc.
Agora nesses mundos de futebol e política, faz-se uma asneira e a maior consequência é deixar a asneira feita e ir apanhar ar... Sempre achei uma parvoíce haver treinadores de futebol a serem despachados por dá cá aquela palha. Até porque assisti a muitos jogos na minha vida, em que os 11 dentro do campo poderiam ter feito muito para mudar resultados adversos, seguindo ou não o treinador.
Até no domingo, nos Óscares, alguém disse que passados 3 anos sobre a maior crise financeira comprovadamente provocada por fraudes, nenhum dos envolvidos está preso ou teve de prestar contas.
Este pessoal devia ser obrigado a resolver o assunto antes de se ir embora. Mainada! O Sr. zu Guttenberg devia reescresver a sua tese, ao mesmo tempo que continuava a defender a Alemanha e só se ia embora depois disso ;)
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