Páscoa
de Paulo José Miranda
Esforça-te para que saibam que o mundo começou de vez
Estende uma palavra amável ao transeunte
E o luxo anacrónico de um sorriso
Àquele que falar mal de ti
Perdoa-o com a ternura de falar bem dele
Segue pela rua não esquecendo nunca
Essa missão dura e difícil que tens pela frente
Ainda que te esbofeteiem, te espezinhem, te humilhem
És e serás sempre o profeta do humano
Aquele que anuncia a chegada do mundo.
livros de Paulo José Miranda AQUI
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Freitag, 22. April 2011
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poemas
Sonntag, 3. April 2011
Poema de Pedro Sevilla, para Angela Sevilla
Que me llenes la casa de perfumes y medias
de cristal, y me rompas,
con las últimas bandas sonoras de la vida,
el ritmo de los versos que trato de escribir,
yo puedo comprenderlo.
...yo comprendo
la arritmia en la aritmética, el desdén que profesas
por los Austria, los corazones
en la blancura virgen de tus folios,
tus primeros dolores de mujer,
yo lo comprendo todo.
Pero no me provoques, hija mÌa:
no me traigas a casa tan dulces quinceaÒeras
de inexplicables ojos, de miradas
a˙n m·s inexplicables. Diles que no se pinten
los labios en mi espejo, que no te presten ropa.
No metas em mi infierno a esos diablos
que me tratan de usted. Sé buena hija
y evítale a tu padre el duro lance
de morirse de amor por tu mejor amiga.
sobre Pedro Sevilla AQUI
de cristal, y me rompas,
con las últimas bandas sonoras de la vida,
el ritmo de los versos que trato de escribir,
yo puedo comprenderlo.
...yo comprendo
la arritmia en la aritmética, el desdén que profesas
por los Austria, los corazones
en la blancura virgen de tus folios,
tus primeros dolores de mujer,
yo lo comprendo todo.
Pero no me provoques, hija mÌa:
no me traigas a casa tan dulces quinceaÒeras
de inexplicables ojos, de miradas
a˙n m·s inexplicables. Diles que no se pinten
los labios en mi espejo, que no te presten ropa.
No metas em mi infierno a esos diablos
que me tratan de usted. Sé buena hija
y evítale a tu padre el duro lance
de morirse de amor por tu mejor amiga.
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Sonntag, 6. März 2011
código postal, de João Negreiros
gosto do poema,
mas gosto mais ainda do modo como ela o diz.
Código postal
As paredes desta casa já viram tudo
o sono
a fome
e um tambor perdido no meio da batalha
viram inquilinos fugir à pressa
e a treva que os ladrões trouxeram
as bulhas que desaguaram em carícias
as portas que bateram por conta do vento
e as janelas que partiram por conta de nada
mas cada vez que um vinha e entrava
dava a todos esta morada
e o correio trazia para o mesmo destinatário as cartas de amor de quem já não mora aqui
e eu não quero saber
abro-as e leio-as como se fossem minhas
como se fossem tuas
e violo-lhes a correspondência como se fosses tu
esqueço a letra e os erros de ortografia e imagino que me escreves todos os dias
e quando perguntam se mora aqui a dona Augusta
eu digo que sim
que sou eu
o senhor Gustavo?
sim
sou eu
o doutor Américo?
é o meu pai
a dona Lourdes?
é a minha mãe
a Maria de Fátima?
é minha filha
e o correio não faz perguntas porque sabe que não se deve perguntar nada a um homem apaixonado
e então faço de conta que os nomes sou eu
tapo o remetente
imagino-te o nome
e abro-a para sentir o teu perfume
e a carta começa assim
excelentíssimo senhor
e eu traduzo para
meu querido
e depois continua com
venho por este meio
e eu traduzo para
amo-te mais que a vida
e a carta do tribunal com aviso de recepção do homem que morava aqui e que não pagava a renda é a prova inequívoca de que me amas
todo aquele papaguear jurídico são longas descrições do país exótico onde vives exilada
é por isso que não podes vir
é por isso que não podes escrever
não te deixam
por isso escreves em código na pena dos que partiram
com cartas de tribunal e contas da luz antigas para me alumiar a esperança pedindo-me que espere
e sempre que o telefone toca e é engano
és tu
quando o galho comprido da árvore do vizinho bate na janela
és tu
quando buzinam na rua
és tu
quando as crianças cantam lá fora
é para te anunciar
eu sei
não tardas
estás para chegar
e quando chegares vais pedir desculpa pelo atraso
e vais dizer que fomos feitos um para o outro
e que a vida agora vai correr bem
e vais ser linda
e dar-me beijos quentes como um abafo para as orelhas
e vamos viver nesta casa um perpétuo amor
uma vida perfeita
sem nada que nos interrompa
e quando o carteiro chegar e fizer perguntas
dizemos que a dona Augusta não sou eu
dizemos que o senhor Gustavo não sou eu
que o doutor Américo era o meu pai mas morreu
que a dona Lourdes era minha mãe mas também se foi logo a seguir com o desgosto
que a Maria de Fátima
a minha pequenina de um casamento antigo
foi com a mãe para a Suíça
e que aqui moramos nós
sem história
sem família
sem passado
nesta paz que não existe
neste amor que nunca foi
mas que é para sempre
Poema do livro "o cheiro da sombra das flores"
de João Negreiros
mas gosto mais ainda do modo como ela o diz.
Código postal
As paredes desta casa já viram tudo
o sono
a fome
e um tambor perdido no meio da batalha
viram inquilinos fugir à pressa
e a treva que os ladrões trouxeram
as bulhas que desaguaram em carícias
as portas que bateram por conta do vento
e as janelas que partiram por conta de nada
mas cada vez que um vinha e entrava
dava a todos esta morada
e o correio trazia para o mesmo destinatário as cartas de amor de quem já não mora aqui
e eu não quero saber
abro-as e leio-as como se fossem minhas
como se fossem tuas
e violo-lhes a correspondência como se fosses tu
esqueço a letra e os erros de ortografia e imagino que me escreves todos os dias
e quando perguntam se mora aqui a dona Augusta
eu digo que sim
que sou eu
o senhor Gustavo?
sim
sou eu
o doutor Américo?
é o meu pai
a dona Lourdes?
é a minha mãe
a Maria de Fátima?
é minha filha
e o correio não faz perguntas porque sabe que não se deve perguntar nada a um homem apaixonado
e então faço de conta que os nomes sou eu
tapo o remetente
imagino-te o nome
e abro-a para sentir o teu perfume
e a carta começa assim
excelentíssimo senhor
e eu traduzo para
meu querido
e depois continua com
venho por este meio
e eu traduzo para
amo-te mais que a vida
e a carta do tribunal com aviso de recepção do homem que morava aqui e que não pagava a renda é a prova inequívoca de que me amas
todo aquele papaguear jurídico são longas descrições do país exótico onde vives exilada
é por isso que não podes vir
é por isso que não podes escrever
não te deixam
por isso escreves em código na pena dos que partiram
com cartas de tribunal e contas da luz antigas para me alumiar a esperança pedindo-me que espere
e sempre que o telefone toca e é engano
és tu
quando o galho comprido da árvore do vizinho bate na janela
és tu
quando buzinam na rua
és tu
quando as crianças cantam lá fora
é para te anunciar
eu sei
não tardas
estás para chegar
e quando chegares vais pedir desculpa pelo atraso
e vais dizer que fomos feitos um para o outro
e que a vida agora vai correr bem
e vais ser linda
e dar-me beijos quentes como um abafo para as orelhas
e vamos viver nesta casa um perpétuo amor
uma vida perfeita
sem nada que nos interrompa
e quando o carteiro chegar e fizer perguntas
dizemos que a dona Augusta não sou eu
dizemos que o senhor Gustavo não sou eu
que o doutor Américo era o meu pai mas morreu
que a dona Lourdes era minha mãe mas também se foi logo a seguir com o desgosto
que a Maria de Fátima
a minha pequenina de um casamento antigo
foi com a mãe para a Suíça
e que aqui moramos nós
sem história
sem família
sem passado
nesta paz que não existe
neste amor que nunca foi
mas que é para sempre
Poema do livro "o cheiro da sombra das flores"
de João Negreiros
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Dienstag, 4. Januar 2011
somewhere there is a poem
Lyrics of "Somewhere There Is A Poem" by Gina Loring
Somewhere there is a poem
And I want to write this poem
I want to speak this poem
I want to feel this poem
I want to experience this poem
Cradle it in my arms
Feed it a good meal
And send it on its merry way
I want to sing this poem
“Amazing grace, how sweet the sound”
Somewhere there is a poem screaming
Get up, stand up
Stand up for your rights
Human beings, human beings
Beings being so
Caught up in the tangible material surface
Or that they never actually feel
Their touch is liquid and grazes right through
But misses the core
This poem whispers to me
And rocks me to sleep
And tells me stories of indigenous people
Diseased and tricked and slaughtered
And made to be extinct
But this ain’t no pterodactyl
Or tyrannosaurus rex blood flowing through my veins
I am a Creek American Indian
I exist
I am an African
I am an old Jewish woman muttering prayers in Yiddish
As my name is replaced with a number on my arm
I am a little Japanese girl
Staring in horror
As my village is bombed and burnt to the ground
I was born in India, but not to the right caste
So regardless of what I accomplish
I will always be a peasant
I died in Mexico three feet from the border
Gunned down by evil troops
Who shoot for a living
Who sacrifice their souls for
The man-made boundaries of these Americas
Somewhere, there is a poem somewhere
Dozing in subway stations
And flying high on a 405
And taking the L to Brooklyn
The 15 to Vegas
And the Marter through Atlanta
And cruising down a dark street in Oakland is a poem
This poem comes from somewhere deep
Somewhere where the angels sleep
Where pixies dance and mermaids weep
Where hymns are hummed
So God will keep us all in mind on Judgment Day
This poem warns, but does not sway
For what you do is up to you
Where you go and who you know
If you close up, or if you grow
Somewhere there is a poem about the insanity
Of war, Hiroshima, Hiroshima
Hero, hero, war hero
Hero-, hero-, heroin is
Crack cocaine is
The systematic genocide of my people
Brown skin behind bars
Locked up behind bars
Trapped behind bars
And slaves behind bars
Kept in lines behind bars
Counted behind bars
Bars, there are more bars
Selling alcohol on a single reservation in Oklahoma
Than in all of Ventura county, county
Counting me in ‘cause I’m down for the revolution
Which may not be televised
And may not get radio play
But it will be told through poetry
‘Cause somewhere there is a poem
This poem speaks to me and draws me in
Like an amusement park to a kid
I want to freak this poem and dream this poem
And share it with y’all
Hold up, shhhhh
I just did
Dienstag, 23. November 2010
Herberto Helder, OFÍCIO CANTANTE
sou eu que te abro pela boca,
boca com boca,
metido em ti o sôpro até raiar-te a cara,
até que o meu soluço obscuro te cruze toda,
amo-te como se aprendesse desde não sei que morte,
...ainda que doa o mundo,
a alegria
Herberto Helder, OFÍCIO CANTANTE
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