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Dienstag, 5. April 2011

o elixir da princesa

Por razões que não vêm ao caso,
descobri hoje na net que o Drambuie que tenho cá em casa, na família desde 67, é uma "beberagem que satisfaz" [=gaélico para an dram buidheach] - ou não fosse whisky com mel, ervas e tal.
O elixir de um príncipe revoltoso e meigo.
Em 1745, o príncipe Charles Edward Stuart organizou um exército de clãs nas Highlands Escocesas para recuperar os tronos Britânicos que pertenciam à sua família. Após a Batalha de Culloden em 1746, perante a iminência de uma derrota, o príncipe fugiu para a ilha de Skye, com a ajuda de seu fiel capitão, John MacKinnon do Clan MacKinnon. Segundo a lenda da família, o príncipe recompensou MacKinnon pelo seu apoio com a receita desta bebida, o seu elixir pessoal.
(corrigido da wiki)



Drambuie.com - 1960 

A espada no gargalo da garrafa é uma lembrança de sua origem durante a revolta jacobina de 1745, e os quatro diamantes representam os valores intimamente associados ao Príncipe Charlie - Risco, Rebelião, Paixão e Mistério.



Leio isto e penso na história por trás da garrafa que está no armário.
O meu pai e o meu avô materno choraram nos braços um do outro, quando nasci, com a Praça da Figueira ao fundo, a ver-se por entre as cortinas do quarto do hospital dos empregados do comércio, onde me foram visitar.
Contava a minha avó, com uma indiferença serena que só mulheres sábias têm, que choraram barba e ranho porque eu não era um rapaz. E que mais desesperados ficaram no seu soluçar, quando se lembraram que já não iam abrir a garrafa que o meu pai tinha trazido de algures para a ocasião. Porque a garrafa era para abir e esvaziar se nascesse um rapaz.
Durante muitos anos a garrafa lá ficou, no aparador da sala, onde o meu avô a deixou quando regressou a casa, naquele dia igualmente trágico para os Martins e os Pires. Recebi-a, já mulher adulta, da minha avó, como quem passa uma maldição familiar adiante, na esperança que se acabe. E acabou ;)

Hoje, num raio de segundos, percebi tudo.
O elixir, a Escócia e os diamantes da coisa:
Risco, rebelião, paixão e mistério.
Não bebi nada daquilo, mas está cá tudo ;)

O meu pai e o meu avô já cá não estão.
Senão, abria hoje a garrafa e obrigava-os a beber tudo.

Montag, 6. September 2010

a cidade sem ti na foto


a cidade atrás de ti
engana qualquer um
com o toque de seda e ouro
a adivinhar as princesas barrocas
acabadas de virar nas esquinas
do império que lhes fugiu, como a nós.

a cidade atrás de ti
engana-me também
como se tivesse eu feito aquela fotografia
bebido da tua garrafa
atravessado contigo a praça
até ao café em frente
onde o aprumo insiste
ter visto há instantes a princesa passar.

a cidade atrás de ti
é o sítio onde vivo
e está atrás de ti
deixando-me
à tua frente
virada para ti
sem poder tocar-te
feita princesa de outros tempos

Donnerstag, 26. August 2010

setembro e agosto
















diziam que agosto era o mês das colheitas
com os campos de cevada preguiçosamente embalados na luz do entardecer.
mas o que chegou primeiro foi setembro.
e setembro durou anos.

repetidamente
a colheita da minha vida
era o apanhar das missangas caídas do colar da tua
o pulso fechado a fugir de esquinas e tiros
a saudade imensa de olhares tristes, mas quentes.

setembro durou anos.

e agosto acabou por vir como estava prometido
explodindo e barafustando pelos campos
como em áfrica e no fim do mundo.

e eu farta
de segurar as pontas todas deste mundo redondo
e das vidas nele enterradas, quando o sol ainda vai alto
e o outono promete o que não traz.

hoje, é a primeira vez que sinto a vossa falta
sem nada mais além da falta que vocês me fazem. ambos.
no calendário
agosto e setembro deixaram de existir.
o que há são os dias
em que volto a ser filha.

Freitag, 30. April 2010

ergo...sum?

 
e não, não são ataques de  umbiguice
alguém procurou "isto" (=planta estela) e deu com o meu blogue :)

Donnerstag, 15. Oktober 2009