Dienstag, 8. September 2009

gut gegen nordwind


a vida tem destas coisas.
encontras um amigo de há 15 anos, descobres onde pára a malta toda de então, ouves contar o que fazem os moços que viviam na mesma casa à beirinha do monte, quantos filhos já têm e, como Salzburgo é uma aldeia de postal, ficas a saber por que festas andaram todos nos últimos tempos. pior que as comadres. porque sem toques de má língua, uma conversa a encher-se de momentos não vividos, não acompanhados, não partilhados... e, para acalmar as coisas, dás contigo numa livraria a comprar um bestseller da "literatura para autocarro e eléctrico" para saberes melhor, de que trata a peça com que um deles corre o país.

e depois, como se não bastasse: o livro - que não encontrei em português para os três gatos pingados que lêem isto - conta de uma ponta à outra uma troca de emails entre dois que não se conhecem. são mails divertidos, perspicazes e cheios de notas explicativas, porque a escrita - sem voz nem gestos nem piscadelas de olhos - é um poço de aventuras bem e mal sucedidas. mas são também mails de inevitável aproximação e imensos ombros e copos de vinho tinto onde encostar a dor d'alma. um texto leve, ideal para quando o eléctrico leva as janelas abertas dos dois lados (o que aqui, por si só, tornaria a sua leitura uma impossibilidade ontológica), mas suficientemente real e bem humorado, para dar uma doce peça de teatro.

portanto: deixa lá ver quando é que a peça passa por aqui. a ver se o Edi ainda se lembra de mim ;)

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das Stück „Gut gegen Nordwind" nach dem Roman von Daniel Glattauer. Die Vollblutschauspieler Anita Köchl und Edi Jäger haben eine rasante Version des E-Mail Romans auf die Bühne gebracht, die klug, komisch und zugleich ungeheuer spannend ist. Es geht um die schnelle, jedoch ehrliche Annäherung zweier Menschen über den Mailverkehr und ihre Ängste vor der realen Begegnung. Zugleich baut sich im Laufe des Abends eine irrsinnige Spannung auf. Wird aus der E-Mail Liebe auch die Liebe auf den ersten Blick?

2 Kommentare:

José Ricardo Costa hat gesagt…

O que ainda mais impressiona nos amigos que vemos 15 anos depois é a falta de cabelo. Falta de cabelo ns homens e o olhar nas mulheres. Nos homens, a cabeça ganhou brilho graças à ausência de cabelo, nas mulheres é o brilho que entretanto se perdeu no olhar.

Peço desculpa pelo comentário um bocadinho aparvalhado. Mas são estas, no fundo, as coisas que mais me impressionam.

JR

estela hat gesagt…

No caso de Alex, o amigo que encontrei em Salzburgo, não foi tanto o cabelo. foi mais o peso. mas o peso não me impressiona e o Alex teve o cuidado de não comentar a minha aparência ;)

O comentário contudo, longe de ser aparvalhado, fez-me pensar na relação entre uma e outra coisa. Sansão e Dalila ;) - se a falta de cabelo deles tira o brilho ao olhar delas...

e para arrematar: nos tempos da casa dividida e das jantaradas na grande mesa da cozinha, a falta de cabelo já fazia parte do Edi!! Mas tudo era recompesado pela sua gentileza e calma :)