Sonntag, 14. Februar 2010

boca pura













Traduzido à letra daria: a razão pura nunca deverá sair vencedora. Escrito sob um viaduto estreito que sobe e desce a floresta, à beira da cidade de Viena.
Esta fotografia já meio outunal, tirada aquando do primeiro granizo, só agora - quando a neve já desespera - me agrada um bocadinho.
Suponho que tomamos decisões diferentes por razões também diferentes. Umas vezes mais com o coração, outras mais com o cérebro -  a mim, na maioria dos casos até com o coração na boca. Toda a gente ouviu falar disso mesmo, de decisões pensadas, analisadas, de listas de prós e contras... e toda a gente passa por experiências completamente diferentes, de decisões tomadas em cima do joelho, caminhos irracionalmente seguidos, escolhas sem pés nem cabeça.
Decidir por razões supremas, inventadas, matemáticas, explicáveis e inabaláveis leva-nos exactamente onde? e viver com o coração na boca ajuda exactamente quem? e independentemente de tudo: como afectamos mais os outros? com as nossas decisões mais loucas? ou com as mais pensadas?

Kant perguntava: pode isolar-se a razão? e terá a razão em si (portanto pura) a priori princípios e regras capazes de sintetizar económicamente as riquezas do nosso entendimento?
Meu Deus, o quanto eu gosto deste homem! Tão cuidadoso, sistemático, seco, atento e meigo para com o seu mundo.
E também a ele não lhe adiantou de nada.

Escarrapachada na parede a verdade mortal disto tudo:
não há vitórias para ninguém!
Siga a razão. Eu prefiro o meu coração. Na minha boca.

3 Kommentare:

José Ricardo Costa hat gesagt…

Eu gosto bem mais do Kant da KRV do que do Kant da KPV. Do Kant que impõe limites à razão pura perante a questão "O que posso conhecer?" do que do Kant que enaltece a razão pura perante a questão "O que devo fazer?". Prefiro a prudência aristotélica.

Bj,

JR

estela hat gesagt…

a KPV nunca li por aí além.

nas minhas primeiras aulas de filosofia, ainda no liceu, era tudo muito emocional. a um belo filósofo seguia-se um que tinha a mania de dizer o contrário do anterior ;). o meu professor da altura conseguia dar-nos a ideia de que aquele filósofo que era tema de momento era o que tinha encontrado o tesouro todo. acho que se divertia connosco quando cronológicamente passava ao seguinte e a gente pasmava com o alargar das possibilidades...

era assim que eu vibrava com a filosofia: os présocráticos um deslumbramento, o sócrates um seco, o platão o mais iluminado, o aristóteles meio invejoso, o sto. agostinho divertido, o tomás de aquino muito tendencioso, o descartes um desafio e depois do coitado do locke só mesmo o grande senhor kant. de kant acho que nunca passámos...

claro que quem (como eu)lida assim com a filosofia, não percebeu mesmo nada de nada. E não eram devaneios juvenis. Esta relação emocional ficou-me.

não sou uma pessoa prudente. infelizmente.
pelo que, infelizmente também, continuo a achar o aristóteles um invejoso e toda a sua sabedoria trespassada de um eco monstruoso chamado "tenho a mania que sei tudo".
havia amigos meus, do tempo da faculdade, que pensavam o mesmo de mim.

mas suponho que dar aulas de filosofia implica uma distância estoica e imparcial :)

estela hat gesagt…

a filosofia é uma montanha russa.