Faz hoje 19 anos que vim para aqui onde estou.
Faz também 16 anos que a minha mãe morreu, não morrendo logo.
Normalmente este dia é passado em recolhimento mental, o mais longe de mim mesma quanto eu consigo estar, em 24 horas que no fundo não significam nada. Todos os dias são dias de acontecimentos. Não é por aí que vem mal ao mundo, salvo seja. Pelo menos é esse o esforço em que estão envoltos os dias 10 de todos os Dezembros, de há 20 anos para cá.
Hoje a coisa tem outro peso.
Daqui a 4 anos estarei a meio caminho.
Estarei tantos anos aqui como lá, aí.
E além do mais, daqui a 4 anos não quero estar aqui.
Conseguirei estar mais anos em casa do que fora dela?
É possível estar tantos anos noutro sítio e não ter como chamar-lhe nem lar nem pátria nem espaço próprio?
Porque é que os primeiros 24 marcam mais que os segundos?
Como gerir os 4 anos que faltam para lhes mudar o rumo de forma definitiva? Onde estarei no próximo dia 10 de Dezembro?
(é a primeira vez que me faço esta pergunta!)
E depois, as datas servem exactamente para quê?
Se servem para medir e pesar o que a elas está ligado são absolutamente desnecessárias. Essas coisas ou andam connosco sempre ou não andam, e não andando perdem serventia, perdem sentido, deixam de ser importantes. As datas do mundo são outra coisa. A Declaração dos Direitos Humanos é de 10 de Dezembro de 1948, neste mesmo dia, mas já em 1860 é pela primeira vez na história é concedido o voto às mulheres (no Wyoming, quem diria!) etc e tal, nada de especial também...
A verdade é que os dias não têm história.
Somos nós que temos história. A minha história junta neste dia todas as perdas e ganhos de tudo o que sou. Míseras 24 horas sem significado nenhum que me descontrolam. A minha independência começa no mesmo dia em que se torna dependente de outra coisa, o meu amor a crescer e a morrer ao mesmo tempo, ganhar e perder as pessoas quem em momentos diferentes eram as mais importantes, estar - ainda hoje - sem saber para que lado me virar, se para o 9 se para o 11. Etc. Mais uma vez: etc e tal.
E sim, olhar para a frente, não dar espaço à depressão, pensar positivo. Trálálá.
Um impasse. A história dos dias não é história. É um impasse.
Os dias sem história, agarrados uns aos outros pela nossa necessidade de nomear o mundo.
Quero que o mundo se esfarele!
A dor não tem nome nem história. Existe. Ou está lá ou não.
Hoje sim.
Freitag, 10. Dezember 2010
Abonnieren
Kommentare zum Post (Atom)
Keine Kommentare:
Kommentar veröffentlichen