Mittwoch, 27. April 2011
um conto de fadas é um conto de fadas é um conto de fadas
Na sexta-feira estarei agarrada à televisão a ver o casamento real :)
Não sei se é o lado feminino, o lado infantil ou o lado maternalista que mais se enfeitará dentro de mim. Também não quero saber.
Quando a princesa Diana foi para a Escócia em lua de mel, a minha mãe copiou uma das camisolas que ela trazia vestida, numa reportagem da Hola. Lembro-me da reportagem como se tivesse folheado a revista ontem. E lembro-me do entusiasmo e da precisão da minha mãe, ao escolher o tom de castanho mais aproximado ao castanho espanhol impresso, ao tricotar a camisola para depois combinar – como na revista – o decote com uma saia que a minha tia lhe teve de fazer, a condizer com a princesa, com a revista, com a monarquia.
A minha mãe nunca pareceu uma princesa.
Mas pelo fim que levaram ambas, suponho que reconhecia nela a mesma impotência, antes mesmo de o mundo dar por isso – em ambas.
Casaram e a minha amiga inglesa mandou-nos uma colher foleiríssima [palavra muito em voga nos dias de hoje ;) ].
Tiveram filhos e eu vi-os crescer.
Divorciaram-se e eu pensei o mesmo.
E depois morreu, aquela princesa universal, muito mais universal que a Amidala.
Cresci com aquela família inglesa, sabendo que não era a minha, que não era o que eu queria, que nunca seria nada do que eu achava necessário ao mundo. Mas há um enlevo de que não me liberto, uma ternura estranha quando olho para aquelas pessoas de papel, que existem e não existem. O anacronismo é tal, que é como se os contos de fadas não fossem histórias de ler à noite, mas histórias do tamanho das nossas vidas.
Hoje, sabendo que na sexta-feira vou ver televisão, não me compreendo, não me percebo, tenho até dó de mim. Mas sei que na sexta me estou nas tintas para mim e serei a minha mãe, por um anacrónico e maluco par de horas.
Arquivado em:
estado de espírito
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