Freitag, 26. August 2011
A propósito da crónica de António Lobo Antunes que saiu na Visão, no dia 18.
Na segunda-feira faz 6 anos que o meu pai morreu. Seria um dos mortos que esteve em Almeirim, se fosse um dos que esteve lá com o Lobo Antunes, mas não esteve. O meu pai foi à guerra e, apesar dela, teve uma daquelas vidas invisíveis, que só tocam, apertam ou surpreendem quem está por perto. Mas vomitou imenso. O meu pai vomitou sem o dom de saber escrever.
Eu, com 12, 13 anos ia passar os sábados ali para os lados do Largo de Camões, onde se juntavam uns quantos paraquedistas, a jogar às cartas e tal. Toda a gente fingia acreditar que a guerra já tinha acabado. Cresci com ela, com a alma doente do meu pai e com um peso na consciência em relação a África, que perdura até hoje. É a vida. D e facto, é uma bela crónica, como quase todas as que leio do Lobo Antunes.
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3 Kommentare:
Crónica fantástica. Como todas. Prefiro o LA cronista do que romancista.
JR
Parabéns pelo Blog. Eu vi um comentário seu sobre Wittgenstein em outro blog, achei muito coerente e visitei o seu. Fui logo alimentado por esta bela crônica! Fica aqui meu respeito.
Olá Ferreira! Obrigada!
Há já muito tempo que não escrevo, nem aqui, nem noutro lugar.
E hoje, de repente, ao ler o seu comentário... fiquei com uma vontade enorme de regressar a mim :)
Obrigada por isso também :)))
Tudo de bom.
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