a universidade de viena está há já 7 dias ocupada por estudantes que exigem melhor ensino, melhores meios, melhores caminhos. a ela juntam-se agora outras universidades do país! o ministro das ciências aceitou apressado o cargo de comissário na união europeia, para não ter de falar com os estudantes. Há páginas na internet e no facebook para espalhar a palavra. o twitter chorrilha sem parar, a malta jovem está a mexer-se...
a ocupação da universidade significa, comer, dormir e discutir na universidade... muita gente a fazer café e a cozinhar, enquanto outros preparam conferências de imprensa, discutem estatutos de protesto, pintam placards para a manif de hoje à tarde e fazem um jornal de rua!!!!.. eu nunca pensei que os austríacos chegassem tão longe!!!!
e subscrevo as exigências na net, leio os comentários e as notícias, e tentarei ir à manifestação ...
pessoal em portugal... é acordar!!!
uma chance assim, um vento de mudança, não acontece tantas vezes na vida!
educação é poder!
http://unsereuni.at/ (dá para ler em inglês!)
Mittwoch, 28. Oktober 2009
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6 Kommentare:
Bem, em Portugal ocupar uma escola ou universidade para exigir um melhor ensino parece-me qualquer coisa altamente improvável.
JR
eu sei, eu sei...
é o desespero ante tanta inactividade, tanto deixa andar, que me leva a escrever assim...
aqui a ocupação das aulas magnas espalhou-se a outras universidades. ontem estiveram mais de 15 mil nas ruas do centro de viena a exigir melhor ensino para todos ( com manifestações noutras cidades). com eles estão solidários professores, reitores e até o presidente do órgão máximo de apoio aos trabalhadores (onde estão incluídos todos os sindicatos)...
conhecendo os austríacos como conheço e a inactividade que os caracteriza saíu-me um atear de fogo... um desejo de mudança espalhado... que chegasse aí.
mas pelo que vi nos noticiários, aí nem chegaram imagens da manifestação...
enfim.
resta esperar que aqui não sejam engolidos pelo sistema.
Aqui, as notícias não dizem nada sobre essa situação, como sempre, na esperança que essas coisas não alastrem. Mas eu tenho uma dúvida: o que é que os estudantes austriacos querem mesmo? Eu não concebo nenhum motivo válido que me levasse a fazer parte de uma ocupação da Universidade.
hmmm
aqui
http://unibrennt.at/?cat=8&lang=en
estão as exigências em inglês.
são exigências muito gerais: não pagarem propinas (uma luta quase anual, neste momento só pagam pessoas vindas de países não-EU e gente que estuda há eternidades), completarem os cursos com os curriculos iniciados (aqui há enormes diferenças entre pessoas a estudar a mesma coisa, dependendo de quando começaram - poque aqui não se estuda em 4 anos... pode durar 10 ou mais ;) - não aos numerus clausus (há muita gente que vem da alemanha por causa disso e agora têm tantos alunos que querem instaurar restrições várias às entradas na universidade). democratisação de todas as estruturas universitºrias (os sist. de eleição de representatante são cada vez menos democráticos e transparentes), mais e melhores salas de aulas, melhor equipamento, cotas de 50% em termos de paridade dos funcionários, financiamento das universidades por parte do estado, que está a ver se as torna em estruturas tipo PME ;), aplicação da lei de defesa dos deficientes a todos os níveis, acabar com todos os contratos precários, voltar a introduzir a isenção de passe para os transportes públicos.... etc e tal...
o mais difícil de aceitar é que muitas destas coisas eram óbvias nos anos 70 / 80 e foram retiradas aos estudantes sucessivamente e pela calada.
claro que é extremamente difícil imaginar este tipo de exigências em portugal, porque toda a estrutura universitária funciona de outra maneira.
a esta altura do campeonato o parlamento da região burgenland (a leste de viena) apoiado por verdes e socialistas, já se solidarisou. e o ministro, embora vá para bruxelas já disse que aceita conversar na semana que vem e a reitoria, apesar de tudo evitou criar mais problemas e apoia os estudantes. aqui deram-se milhares de milhões de euros aos bancos envolvidos nas tricas internacionais ligadas à crise (gente que não manda nada no banco a jogar à bolsa com o dinheiro do pessoal etc) e não querem gastar 3 mil milhões com o saneamento das universidades...
o mais interessante realmente é como os novos meios de comunicação permitiram a adesão, a organisação etc... podes estar em casa e sabes tudo o que está a acontecer, alguns intelectuais vão à aula magna e discursam, e tu podes ver os streams todos... é muita frutas para s austríacos que não estão nada habituados a estas coisas...
De facto é excepcional, no fundo faz lembrar-me do Maio de 68, com a vertente de que aqui ainda há a possibilidade de os protestos dos alunos serem ouvidos. Fico muito contente que ainda haja consciência política e social nas universidades austriacas.
Como diz, por aqui as universidades ainda funcionam de maneira diferente e o grande protesto será mesmo e sempre o das propinas (eu pago mil euros ao ano), porque na minha faculdade há boas condições, o Estado comparticipa em 50% o passe mensal e há inclusão dos alunos nos órgãos universitários. Ah! e temos a particularidade de as faculdades serem públicas e terem vindo a fechar algumas privadas.
Uma coisa que sempre me apeteceu fazer foi turismo revolucionário. Estou só meio a brincar, porque por aqui nunca se passa nada. Fizemos o 25 de Abril e nem morreu ninguém... (estou mesmo a brincar!)
sim, aqui também se falou no maio de 68, mas as diferenças são enormes: os estudantes estão ainda muito agarrados à sociedade em que vivemos. as mudanças que querem cntudo, são mudanças estruturais da sociedade também (educação para todos e não para elites, acesso gratuito a coisas básicas, ensino de qualidade para espíritos críticos e não maquinaria de produção para o mundo económico em que vivemos). as dúvidas de muitos que já se "revoltaram" noutros tempos são mesmo se aguentam a pedalada. até ver parece que sim.
o mais espetacular de tudo, para mim também, é que o facto de tudo ser tão transparente devido aos novos meios usados (streams, facebook, twitter, blogs usw) não há como minimizar os acontecimentos ou contar o que não acontece. por exemplo ainda tentaram no primeiro dia dizer que os estragos eram enormes e que davam cabo de tudo. mas como se pode ver tudo o que está a acontecer em tempo real(qualquer pessoa pode entrar na faculdade e ir à aula magna, ou ver na internet o que estão a fazer, a planear, a dizer) -não há como informar mal a opinião pública. o espanto todo é esse. a pressão é essa. mas claramente, também isso pode ser rapidamente incorporado no dia-a-dia das pessoas aqui.
com a manifestação os transportes tiveram parados umas 4 horas e havia muita gente a resmungar (das 5 da tarde à 9 da noite...)... mas se fizerem como há 10 anos - onde eu também fui durante dois meses todas as 5as feiras participar em demonstrações pela cidade contra a coligação de extrema direita... com o tempo as pessoas habituaram-se e ninguém ligava.
aqui há que esperar que como é malta nova seja também criativa e pense em alternativas.
as diferenças são também curriculares. aqui estudas na maioria dos casos 2 coisas, podes estudar o tempo que precisares, inscreves-te nas opções via internet (ninguém sabe se entra até ser tarde de mais para se inscrever noutra coisa que queira), tens aulas em salas enormes onde ninguém sabe quem és (70 a 100 pessoas - eu estudei com mais 25) muitos trabalham ao mesmo tempo, e o pior: como já escrevi acima: a maioria dos desejos são possíveis ou já existiram...
fazer turismo revolucionário? se quiser cá vir avise :)
se calhar estou demasiado entusiasmada: não é ainda uma revolução. há muito cuidado em evitar agressividade e descalabro - o que é bom, mas nada revolucionário. e se bem conheço este povo matam o bichinho antes dele crecer... está tudo mesmo à espera aver quantos dias aguentam ainda... (porque cerca de 500 comem e dormem lá desde a semana passada, organizam grupos de trabalho e plenários, etc.... e a maioria dos intectuais que estiveram presentes são também aqueles que gostam de estar em todo o lado)...
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