Dienstag, 3. November 2009

momento mais português dos últimos tempos

estar sentada no escuro do cinema, a ouvir o luis miguel cintra a declamar alberto caeiro, num filme de manoel de oliveira, baseado num conto de eça de queirós e, ao mesmo tempo, a mandar um sms meio provocante para portugal.
pindérico, mas aconchegante ;)

8 Kommentare:

José Borges hat gesagt…

... num filme do Manoel de Oliveira baseado num conto do Eça de Queirós...

E a sala, estava composta ou era tudo portugueses a matar saudades?

José Ricardo Costa hat gesagt…

Bem, imaginando que para o Caeiro estar no cinema seria um acto alienante, presumo que se tratou de uma evasão bam caeiriana.

JR

estela hat gesagt…

@josé borges

... ora pois, lá me esqueci do queirós. se permite vou corrigir ;)

e sim, a sala estava quase cheia. é uma sala antiga, grande e pouco confortável, daquelas em que se sente estar mesmo no cinema, daquelas em que fica mesmo tudo escuro e o ecrã é mesmo grande... nada destes modernismos...

e antes das singularidades mostraram a faia fluvial. que quase me agradava mais, não fosse ter ficado surpreendida com o fim do filme - e sempre que acho que acaba depressa demias ou de repente é um bom sinal.

estive sentada a olhar para as pessoas antes do filme começar. não creio que houvesse muitos portugueses. em viena há à volta de 400 e deviam estar uns 4. o resto é o público habitual da viennale: um festival de culto onde muita gente vai ver tudo o que pode.

eu matei saudades :)

estela hat gesagt…

@JRC

alienante, sim. quase.
um momento de espanto. tanto do que sou em tantos pormenores diferentes de mim.

José Borges hat gesagt…

Ho! Esse Douro Faina fluvial é uma curta fabulosa! Fabulosa. Eu atrevo-me a dizer que está à altura do Dziga Vertov e do seu Homem da Câmara de Filmar. Aquela cena do atropelamento pelo carro de bois está... nem sei. Eu quando vi isso fiquei extasiado!

estela hat gesagt…

sim também gostei muito! (embora a música soasse a tourada...)
há um plano do rapaz, depois de atropelado que é, de facto, genial.

não fiquei extasiada, mas quase.
talvez porque no fundo mais escuro da minha memória ainda guarde o sabor de um enjoo com que saí a meio de um manoel de oliveira há muitos anos (sapatos vermelhos?)...

José Borges hat gesagt…

sapatos vermelhos... sapatos vermelhos... não estou a ver...

estela hat gesagt…

pfff... baralhei: o sapato de cetim (se calhar eram vermelhos, mas não no título)...

fui à procura na wikipédia
http://pt.wikipedia.org/wiki/Le_Soulier_de_Satin
e encontrei a seguinte frase:
«Claudel disse que o tema do Soulier de Satin era o de uma lenda chinesa, que fala de dois amantes estelares que, todos os anos, após longas peregrinações, se conseguem ver frente a frente. Mas, separados pela Via Láctea, jamais se conseguem reunir.>>

sendo assim... talvez na altura ainda fosse muito nova para o filme ;)