Eu a caminho de casa, de passo apressado, exigido pelos 8 graus negativos. A meu lado um rapaz (digo eu, porque tinha menos de 30 anos) a falar ao telemóvel (em árabe?). De trás vem o comentário, dito com a certeza de que te ouvem e aceitam: "ab in die Heimat!". Qualquer coisa como "vai para a tua terra".
Dou-me conta do mundo no espaço de um segundo.
Somos todos árabes, africanos, no pior dos casos até ambas as coisas...
Olho para trás, já nas tintas para o frio, com o olhar de leoa mal disposta (nem é por ontem, mas sim pelo que acabo de ouvir). Digo entre-dentes um "fosga-se" alemão, num tom tal de desafio, que o velho, de gorro russo, sobrolho húngaro, gordura checa e parvoíce austríaca, engole com respeito.
Raios partam estes gajos.
Suponho que rassismo tem a ver com um sentimento de superioridade. Mas isto aqui é medo puro. Medo de um gajo que vai a falar ao telefone, medo de não estar a perceber as tricas, medo de ser atirado para a própria ignorância nos segundos em que passam por ti a falar como tu nunca falarás, porque não sabes a língua. Medo de gritar de medo e preferir rosnar.
Raios partam estes gajos.
Não é isto que EU quero que faça parte da minha vida.
Decididamente.
Dienstag, 22. Februar 2011
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3 Kommentare:
Fosga-se mesmo, über alles!
Habedere* mesmo!!!!!!! :(
(*Habe die Ehre! = Olá ou Adeus, em dialecto também usado para diyer qualquer coisa como "fosga-se!) ;)))
Fosga-se mesmo! Diria também eu, se tivesse passado hoje pelo Martim Moniz e ouvido um comentário semelhante da boca de um qualquer tuga...
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