Samstag, 2. April 2011

virei o bico ao prego


Acabo de pregar dois pregos na parede.
E não, não é esta a parte da notícia que mais interessa.
A verdade é que pendurei dois quadros em paredes que não queria esburacar. Fazer buracos nestas paredes significa aceitar que estas são as paredes. As paredes da minha casa. A minha casa nesta cidade. Nesta cidade que não é minha, nem quero que seja. Decidi pendurar os quadros porque me deram pena, assim meio tortos e encostados, eles ainda mais desterrados que eu e com menos culpa, há um ano já a fingirem-se decorativos.
Pendurei os quadros e não aconteceu nada.
Não me doi nada. Nem tenho medo de me ir embora sem ter valido a pena o tempo que estão pendurados.
Posso partir amanhã e lá estão eles hoje, direitinhos e vivos, nessa existência sublime de agradar sem proquê.
Estou bem, acho até que ainda vou pendurar as fotos de família, das férias, do piriquito que não tenho e aqueles quadros de búzios e aquela tela alemã e o poster do concerto do Dylan e .... depois pirar-me desta casa assim que puder :)))

3 Kommentare:

jrd hat gesagt…

Se não doi nada é porque o "ai ai ai" já passou e as marteladas não acertaram nos dedos.
Isso é que é habilidade! Eu nem sei para que serve um martelo e tenho dúvidas existênciais sobre a verdadeira função dos pregos nas paredes...
:)

estela hat gesagt…

bem, se o kravitz estivesse por aqui eu de certeza que não andava a pendurar quadros nas paredes ;)

ah, e
não há dúvidas existênciais sobre a verdade, ok?
[digo eu agora, aproveitando que o Zé Ricardo e o Zé Borges (ainda) não leram isto! ;) LOL]

jrd hat gesagt…

OK! Mas creio que os pregos não são a verdade são a mentira que segura as mentiras.