Sonntag, 11. April 2010
neruda - muito bem lido!
num alfarrabista junto à bica, comprei, há quase 30 anos, uma edição de buenos aires, 1947 com o mais célebre livro de poemas de neruda. este (nr.20) e o 18, li-os centenas de vezes. hoje chamaram-me à atenção para este link... não faço ideia de quem lê... mas estou quase... felizmente que são só os auscultadores que estão tão perto dos meus ouvidos...
Dienstag, 30. März 2010
o barulho dos eléctricos é como as ondas do mar
sentada no chão com o laptop nos joelhos, entre caixas e mais caixas, o pequenino adormecido no sofá, a grande a ver o dr.house e os eléctricos a passarem barulhentos e agradavelmente repetitivos lá embaixo, como na minha infância, não consigo deixar de deixar escapar um sorriso.
quando era miúda, dormia muitas vezes em casa da minha avó. era embalada por dois sons, que se alternavam a custo. o do relógio a dar horas e meias-horas. e o dos eléctricos que passavam ora no cimo ora no fundo da rua. nos dias de melhor sorte a minha avó encostava-se ao varandim lá pela meia-noite, a ver passar a camioneta do lixo e eu com ela. estávamos assim, uns 10 minutos a ouvir aqueles ruídos citadinos com enlevo. a cidade era um sossego!
a minha mãe contava que se lembrava de ouvir as peixeiras e a mulher da fava frita a passar. eu só me lembro do amolador...
claro que Viena não se deixa levar por modas antigas. nada de pregões ou vendedores ambulantes ... mas os eléctricos aqui, ainda que haja muitos modernos e cheios de boas maneiras, são tão barulhentos como os da minha infância.
o que ajuda a sublinhar este estado de graça, de que finalmente a vida mudou ontem para melhor!
finalmente.
eu com a vida na mão.
quando era miúda, dormia muitas vezes em casa da minha avó. era embalada por dois sons, que se alternavam a custo. o do relógio a dar horas e meias-horas. e o dos eléctricos que passavam ora no cimo ora no fundo da rua. nos dias de melhor sorte a minha avó encostava-se ao varandim lá pela meia-noite, a ver passar a camioneta do lixo e eu com ela. estávamos assim, uns 10 minutos a ouvir aqueles ruídos citadinos com enlevo. a cidade era um sossego!
a minha mãe contava que se lembrava de ouvir as peixeiras e a mulher da fava frita a passar. eu só me lembro do amolador...
claro que Viena não se deixa levar por modas antigas. nada de pregões ou vendedores ambulantes ... mas os eléctricos aqui, ainda que haja muitos modernos e cheios de boas maneiras, são tão barulhentos como os da minha infância.
o que ajuda a sublinhar este estado de graça, de que finalmente a vida mudou ontem para melhor!
finalmente.
eu com a vida na mão.
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estado de espírito
Mittwoch, 17. März 2010
estado do mar 1
é estranho
saber que a vida vai mudar completamente daqui a uns dias e não ter como antecipar a coisa. desde que me lembro de mim tenho repetidamente que obrigar-me à paciência. e ainda não sei como isso se faz.
a paciência tem algo de distenção muscular e respiração abdominal, coisa que eu, muito churchill-iana nessas coisas, nunca soube bem como se sentiam.
vem aí o mar aberto :)
tem mesmo de dar para distender - tudo!
saber que a vida vai mudar completamente daqui a uns dias e não ter como antecipar a coisa. desde que me lembro de mim tenho repetidamente que obrigar-me à paciência. e ainda não sei como isso se faz.
a paciência tem algo de distenção muscular e respiração abdominal, coisa que eu, muito churchill-iana nessas coisas, nunca soube bem como se sentiam.
vem aí o mar aberto :)
tem mesmo de dar para distender - tudo!
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estado de espírito
Sonntag, 7. März 2010
cry me a river
há uma data de versões no youtube, tudo muito a imitar tudo e a fingir que é jazz - só se safa uma versão velhinha e genial da Ella Fitzgerald e esta aqui. chora-me um mar a ver se eu te perdoo ;)
quem diria que isto é de 67...
uma mulher de armas e uma belíssima canção!
quem diria que isto é de 67...
uma mulher de armas e uma belíssima canção!
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estado de espírito
Samstag, 27. Februar 2010
Dienstag, 23. Februar 2010
a ciegas (Miguel Poveda)
No tienes que darme cuenta
A ciegas yo te he querío,
Yo voy por el mundo a tientas
Desde que te he conocido.
Llevo una venda en los ojos
Como pintan a la fe
No hay dolor como esta gloria
De estar queriendo sin ver.
Yo muchas noches sentía
Cercano ya el día
Tus pasos en la casa.
Gracias a Dios que has llegado
Que no te ha pasado
Ninguna cosa mala.
En tus manos un aroma
Que transminaba como el clavel,
Pero yo lo echaba a broma
Porque era esclavo de tu querer.
No tienes que darme cuentas
Que no te las he pedido
Quien va por el mundo a tientas
Lleva los rumbos perdido.
Yo me clavaré en los ojos
Alfileres de cristal
Para no verme cara a cara
Contigo y con tu verdad.
Yo muchas noches sentía
Cercano ya el día
Tus pasos en la casa.
Gracias a Dios que has llegado
Que no te ha pasado
Ninguna cosa mala.
En tus manos un aroma
Que transminaba como el clavel,
Pero yo lo echaba a broma
Porque era esclavo de tu querer.
No tienes que darme cuentas...
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música
Montag, 22. Februar 2010
de quem reza a história?
tenho lido e ouvido umas coisas sobre esta discussão.
e agora dei com este manifesto.
e não páro de abanar a cabeça.
quem é que escreve estas barbaridades? estes lugares-comuns?
estas frases que parecem dizer muito e dissecadas não dizem nada?
enfim, em relação às nove primeiras perguntas
até acho que têm toda a razão, hehe.
somos nós, eu e tu, homens e mulheres que fazemos seja lá o que for, uns melhor e outros pior, etcetera e tal.
a minha pergunta favorita contudo é a penúltima: quem faz a história? :)))
porque felizmente a história está cheia de orientações sexuais de toda a espécie.
a resposta a qualquer destas perguntas porém,
não tem rigorosamente nada a ver com casamentos homosexuais.
agora, aquilo que me deixa um bocadinho preocupada é a quantidade de pessoas que acredita que deve ter a ver, porque lá está, também acreditam que "o poder respeita a cultura e a vontade da maioria"
não sei em que planeta vive esta gente, mas neste não é de certeza!
haja paciência!
Samstag, 20. Februar 2010
Freitag, 19. Februar 2010
mais um detalhe
(...)
A aula:
O professor: Nuno Ferro. Foi o meu primeiro contacto com o personagem mas dá para perceber em poucos minutos que é um homem nitidamente brilhante e original. Acho que nunca tinha visto de perto um professor tão capaz e talentoso na arte de ensinar. Ferro, além de outras coisas, põe Bach e os Vampire Weekend na mesma frase e produz de improviso frases/pérolas do género “o dinheiro é o pavor de decidir” e “a realidade é casmurra, tem mau humor”. Glosas interessantes ao “Diário de um Sedutor”, ensinamentos substanciais vários, citações de autores que não conhecia e de outros que admiro (Cioran) e a observação “Desconfio que Cristiano Ronaldo não é um ironista” foram suficientes para me ter questionado sobre os anos que perdi a fingir que passava os olhos por estopadas como o Código de Registo Civil (e apreendia conceitos fascinantes como o de "usucapião").
(...)
tirado daqui
que saudades do MEU nuno ferro!
A aula:
O professor: Nuno Ferro. Foi o meu primeiro contacto com o personagem mas dá para perceber em poucos minutos que é um homem nitidamente brilhante e original. Acho que nunca tinha visto de perto um professor tão capaz e talentoso na arte de ensinar. Ferro, além de outras coisas, põe Bach e os Vampire Weekend na mesma frase e produz de improviso frases/pérolas do género “o dinheiro é o pavor de decidir” e “a realidade é casmurra, tem mau humor”. Glosas interessantes ao “Diário de um Sedutor”, ensinamentos substanciais vários, citações de autores que não conhecia e de outros que admiro (Cioran) e a observação “Desconfio que Cristiano Ronaldo não é um ironista” foram suficientes para me ter questionado sobre os anos que perdi a fingir que passava os olhos por estopadas como o Código de Registo Civil (e apreendia conceitos fascinantes como o de "usucapião").
(...)
tirado daqui
que saudades do MEU nuno ferro!
detalhe
(...)
Ela não cessa de relembrar os "velhos tempos" de Marburgo, a importância na estruturação do seu pensar. Heidegger revela-se na correspondência manipulador nato, mentiroso até, dissimulado. A certa altura, já no pós-guerra, em carta ao marido, Hannah escreve: "Heidegger mente descaradamente, onde e quando e sempre que pode". Porém ela sempre precisou de se representar sempre como a mulher da vida de Heidegger, aquela que o teria compreendido como ninguém. Ilusão (ou não) que ele acalentou.
Cinquenta anos - amor e cumplicidade, inextirpável - de filósofo para filosofo
(...)
tirado daqui
Ela não cessa de relembrar os "velhos tempos" de Marburgo, a importância na estruturação do seu pensar. Heidegger revela-se na correspondência manipulador nato, mentiroso até, dissimulado. A certa altura, já no pós-guerra, em carta ao marido, Hannah escreve: "Heidegger mente descaradamente, onde e quando e sempre que pode". Porém ela sempre precisou de se representar sempre como a mulher da vida de Heidegger, aquela que o teria compreendido como ninguém. Ilusão (ou não) que ele acalentou.
Cinquenta anos - amor e cumplicidade, inextirpável - de filósofo para filosofo
(...)
tirado daqui
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livros
Donnerstag, 18. Februar 2010
Sonntag, 14. Februar 2010
boca pura
Traduzido à letra daria: a razão pura nunca deverá sair vencedora. Escrito sob um viaduto estreito que sobe e desce a floresta, à beira da cidade de Viena.
Esta fotografia já meio outunal, tirada aquando do primeiro granizo, só agora - quando a neve já desespera - me agrada um bocadinho.
Suponho que tomamos decisões diferentes por razões também diferentes. Umas vezes mais com o coração, outras mais com o cérebro - a mim, na maioria dos casos até com o coração na boca. Toda a gente ouviu falar disso mesmo, de decisões pensadas, analisadas, de listas de prós e contras... e toda a gente passa por experiências completamente diferentes, de decisões tomadas em cima do joelho, caminhos irracionalmente seguidos, escolhas sem pés nem cabeça.
Decidir por razões supremas, inventadas, matemáticas, explicáveis e inabaláveis leva-nos exactamente onde? e viver com o coração na boca ajuda exactamente quem? e independentemente de tudo: como afectamos mais os outros? com as nossas decisões mais loucas? ou com as mais pensadas?
Kant perguntava: pode isolar-se a razão? e terá a razão em si (portanto pura) a priori princípios e regras capazes de sintetizar económicamente as riquezas do nosso entendimento?
Meu Deus, o quanto eu gosto deste homem! Tão cuidadoso, sistemático, seco, atento e meigo para com o seu mundo.
E também a ele não lhe adiantou de nada.
Escarrapachada na parede a verdade mortal disto tudo:
não há vitórias para ninguém!
Siga a razão. Eu prefiro o meu coração. Na minha boca.
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filosofia dominical,
fotos
Samstag, 13. Februar 2010
Freitag, 12. Februar 2010
vida de lagartixa
ao que nós chegámos!!!!
adoro aquelas respostas do tipo "vai depender da sorte e dos resultados"... pois... e não é que fico práqui a pensar que por estes lados, nevados, cinzentos e muito pessoais, será tudo mais uma questão de resultados e de sorte?...
faque - tou como o clube: objectivamente é apontar para, pelo menos, ainda ficar no mundo, mesmo que não dê para ganhar nada...
:(
adoro aquelas respostas do tipo "vai depender da sorte e dos resultados"... pois... e não é que fico práqui a pensar que por estes lados, nevados, cinzentos e muito pessoais, será tudo mais uma questão de resultados e de sorte?...
faque - tou como o clube: objectivamente é apontar para, pelo menos, ainda ficar no mundo, mesmo que não dê para ganhar nada...
:(
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estado de espírito
Freitag, 5. Februar 2010
notas ao som da marcha
casei ao som desta música.
no filme depardieu diz "non" - devia estar a adivinhar ;)...
com o passar dos anos, sempre que ouvia isto sentia-me outravez a ver o filme. hoje dei-me ao trabalho de escutar 4 versões diferentes desta obra. a ver o que dava.
enfim, quando era mais menina e mais ingénua achava que se tivesse a vida da Elisabeth Taylor iria juntar os nomes dos maridos todos uns aos outros, em vez de os substituir. a ver o que dava.
as quatro versões que ouvi hoje não serviriam para casamento nenhum!
esta versão - de jordi savall - continua a ser única!
a Elisabeth Taylor deve ter sabido que a vida que temos não é feita de juntar nomes.
esta é a música do abismo.
a minha do meu.
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música,
vídeos
Dienstag, 19. Januar 2010
as fotografias não têm cheiro nem fazem barulho
Conheço uma dançarina que vem do Haiti. Dança vodoo cheia de encanto e energia. Uma mulher forte com um olhar que eu nunca soube interpretar. Passados tantos dias sobre o terramoto continua sem saber se a mãe está viva. O primo só prometeu ir à procura dela em troca de dinheiro. Continuo sem saber interpretar o olhar dela.
Mas sei que vidas difíceis não perdem o baço olhar e é isso que trespassa de vez em quando. Apesar da dança.
É estranho ter a sorte ou o azar de se nascer aqui ou ali. Não há nada naquilo que somos que seja menos autodeterminado, creio. E, infelizmente, é o factor mais determinante das nossas vidas.
Os jornais estão cheios de imagens. Fotografias das maiores desgraças deste mundo. Como o terramoto no Haiti há 5 dias. Li ESTA notícia já à beira do limite. Tenho cada vez menos capacidade de aceitação ante tanta desgraça. Aguento cada vez menos. Lembro-me dos que se atiraram das torres em NY em tempo real, virava e revirava páginas com imagens horrendas do tsunami porque não conseguia acreditar. Mas nos últimos tempos já não aguento mais. Leio esta notícia e não preciso das fotografias para nada. Vejo o homem e as moscas e ainda que nunca tenha sentido a pestilência de carne apodrecida nos passeios da minha vida, julgo conseguir imaginá-la.
As fotografias não têm cheiro, nem fazem barulho.
Há uma magia numa imagem parada que o melhor filme não repete.
Mas mesmo sem cheiro, sem barulho, sem movimento, a minha cabeça está cheia de fotografias. E os meus olhos já muito embaciados.
Mas sei que vidas difíceis não perdem o baço olhar e é isso que trespassa de vez em quando. Apesar da dança.
É estranho ter a sorte ou o azar de se nascer aqui ou ali. Não há nada naquilo que somos que seja menos autodeterminado, creio. E, infelizmente, é o factor mais determinante das nossas vidas.
Os jornais estão cheios de imagens. Fotografias das maiores desgraças deste mundo. Como o terramoto no Haiti há 5 dias. Li ESTA notícia já à beira do limite. Tenho cada vez menos capacidade de aceitação ante tanta desgraça. Aguento cada vez menos. Lembro-me dos que se atiraram das torres em NY em tempo real, virava e revirava páginas com imagens horrendas do tsunami porque não conseguia acreditar. Mas nos últimos tempos já não aguento mais. Leio esta notícia e não preciso das fotografias para nada. Vejo o homem e as moscas e ainda que nunca tenha sentido a pestilência de carne apodrecida nos passeios da minha vida, julgo conseguir imaginá-la.
As fotografias não têm cheiro, nem fazem barulho.
Há uma magia numa imagem parada que o melhor filme não repete.
Mas mesmo sem cheiro, sem barulho, sem movimento, a minha cabeça está cheia de fotografias. E os meus olhos já muito embaciados.
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estado de espírito
Mittwoch, 13. Januar 2010
Dienstag, 12. Januar 2010
Montag, 11. Januar 2010
austri-dade
provavelmente ainda vejo e sinto a amizade como aquele amor à verdade que tanto me entusiasmava antes. amar a verdade, ser verdadeiro, amar o ser verdadeiro, ser verdadeiro no amar, sei lá eu.
fazer amigos pela vida fora é uma espécie de album de verdades.
os amigos são bocados de vida vivida, verdadeiramente acontecida, sofrida, esgotada em gargalhadas e abraços, com gritaria, cervejas e muitos cafés pelo meio. ou até um bocadinho mais que isso tudo.
mas, a partir de uma certa altura a vida não se dá tão bem com as verdades. tem de se ganhar dinheiro, ir ao supermercado, aproveitar os minutos esticados na casa de banho para ler - com calma e verdadeira solidão - umas páginas interessantes.
e a juntar à vida vem a distância.
tenho quase 20 anos de austri-dade - sim, leram bem.
as montanhas daqui, que fazem estas pessoas como o mar me fez a mim, não se padecem com verdades. não se vê além de nada, subir ao cume implica depois descer tudo outravez. estar lá em cima pode culminar com o azar de ter as nuvens todas abaixo do nível dos olhos. um nevoeiro intenso, que se estende ao passar dos dias. dias austeros portanto.
amigos que não se metem na vida de ninguém, que querem contas divididas ao centavo no café e não levam ninguém a casa se não ficar mesmo, mesmo em caminho.
portanto, não posso contar com os de lá, nem com os de cá.
desta vez, longe de todos os abraços portugueses, que sempre chegam com atraso quase imperdoável e longe de todas as exigências austríacas, mentirosas e mázinhas, estou decidida a levar agora a cabo o que comecei hà anos: ser verdadeira. amar mais ainda a verdade, ser ainda mais verdadeira no amar.
o aristóteles que se lixe.
ou vai ou racha.
fazer amigos pela vida fora é uma espécie de album de verdades.
os amigos são bocados de vida vivida, verdadeiramente acontecida, sofrida, esgotada em gargalhadas e abraços, com gritaria, cervejas e muitos cafés pelo meio. ou até um bocadinho mais que isso tudo.
mas, a partir de uma certa altura a vida não se dá tão bem com as verdades. tem de se ganhar dinheiro, ir ao supermercado, aproveitar os minutos esticados na casa de banho para ler - com calma e verdadeira solidão - umas páginas interessantes.
e a juntar à vida vem a distância.
tenho quase 20 anos de austri-dade - sim, leram bem.
as montanhas daqui, que fazem estas pessoas como o mar me fez a mim, não se padecem com verdades. não se vê além de nada, subir ao cume implica depois descer tudo outravez. estar lá em cima pode culminar com o azar de ter as nuvens todas abaixo do nível dos olhos. um nevoeiro intenso, que se estende ao passar dos dias. dias austeros portanto.
amigos que não se metem na vida de ninguém, que querem contas divididas ao centavo no café e não levam ninguém a casa se não ficar mesmo, mesmo em caminho.
portanto, não posso contar com os de lá, nem com os de cá.
desta vez, longe de todos os abraços portugueses, que sempre chegam com atraso quase imperdoável e longe de todas as exigências austríacas, mentirosas e mázinhas, estou decidida a levar agora a cabo o que comecei hà anos: ser verdadeira. amar mais ainda a verdade, ser ainda mais verdadeira no amar.
o aristóteles que se lixe.
ou vai ou racha.
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Montag, 4. Januar 2010
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